Rafael Marques leva situação das zungueiras ao Palácio Presidencial

Questões ligadas à situação das zungueiras, ao combate à corrupção, aos Direitos Humanos e ao Repatriamento de capitais, estiveram, ontem, em abordagem no encontro privado mantido entre Rafael Marques e o Presidente da República, João Lourenço, no Palácio Presidencial

O jornalista e activista dos Direitos Humanos Rafael Marques, falando, ontem, a OPAÍS, informou que o encontro mantido com o Presidente da República, João Lourenço, foi produtivo, tendo realçado a cordialidade e a simpatia com que foi recebido pelo Chefe de Estado. Rafael Marques falou dos objectivos do referido encontro, alegando que foi ao Palácio Presidencial, como cidadão, partilhar os seus pontos de vista sobre a situação da corrupção em Angola, salientando a visão clara do Presidente da República sobre o combate à esse fenómeno. O activista lembrou, na ocasião, que o combate à corrupção deve passar tanto pela acção judicial como pela moralização da sociedade.

Para que essa acção judicial seja efectiva, Rafael Marques defendeu ser necessário que haja mecanismos mais céleres dedicados exclusivamente aos casos de corrupção. Defendeu, por outro lado, ser fundamental que haja, para além desta celeridade, uma moralização da sociedade que, na sua opinião, deve ser acompanhada com uma melhor situação económica, para que as pessoas, através dos seus salários e da criação de mais empregos, tenham mecanismos legais para uma vida condigna. “Como cidadão, transmiti a minha preocupação com o que se passa com as zungueiras e a necessidade de um maior diálogo com as interessadas, no sentido de se encontrar soluções e alternativas antes que haja quaisquer medidas de punição e repressão contra essas cidadãs que procuram sobreviver”, disse, Rafael Marques.

Avançou que tal diálogo deve envolver também outros sectores da sociedade, de modo a que a responsabilidade do Governo provincial sobre o assunto seja sentida e a comunicação com os cidadãos seja também no sentido da prevenção com a intervenção da Comissão Administrativa de Luanda. “É preciso que haja iniciativa no sentido de prevenir mais situações de conflito e essas medidas de prevenção têm que, efectivamente, garantir a isenção adequada dessas grandes sobreviventes do nosso quotidiano e que muito fazem para sustentar nas suas famílias, possam ser condignamente inseridas no mercado formal”, defendeu.

Repatriamento de capitais

O encontro, segundo Rafael Marques, serviu ainda para falar sobre o processo de repatriamento de capitais, cujo período de graça termina já neste mês de Dezembro. O activista referiu que a questão do repatriamento de capitais passa pela tomada de medidas coercivas, através de acções judiciais e, espera que o mês de Janeiro traga novidades referentes ao assunto.

Direitos Humanos

Relativamente a este assunto, o activista afirmou que a situação dos Direitos Humanos em Angola é precária, alegando que não houve grande alteração no seu quadro e defende que a estratégia do Executivo sobre os Direitos Humanos reflicta as preocupações dos cidadãos.

A interacção deve ser permanente

O presidente da Associação Construindo Comunidades, padre Pio Wakussanga, defendeu, por seu turno, a necessidade de haver uma interacção permanente entre o Governo e os governados, através de intermediações. Padre Pio engrandeceu a abertura do Presidente da República e considerou a sociedade civil um grande elo de intermediação entre o poder que governa e o poder da soberania que é o povo. “Nem sempre nos é dada essa oportunidade. Nós, a sociedade civil, éramos associados a bandos de rebeldes ligados a organizações. Esta nova abertura representa uma novidade que é preciso aprofundar”, afirmou, tendo realçado que o Executivo, por si só, não poderá ter as soluções de todos os problemas que enfermam a sociedade sem um diálogo profundo, intencionado e muito aberto com a sociedade civil.