Artistas e empreendedores partilham experiência para colmatar falta de emprego

A Feira da Formação Profissional e Empreendedorismo (FENAFOPE), propõe- se ser um espaço de comunicação entre os cidadãos e os diversos operadores económicos e de orientação e debate em matéria de formação e empreendedorismo

Jovens empreendedores e artistas de diversas partes do país estão a partilhar as suas técnicas de sucesso com cidadãos nacionais interessados no fomento ao autoemprego para ludibriar as dificuldades financeiras. Esta revelação foi feita ontem, a OPAÍS, durante a primeira edição da Feira da Formação Profissional e Empreendedorismo (FENAFOPE) que arrancou na Quinta-feira e termina hoje, em Luanda, onde expuseram as suas criações.

O conjunto de artes e ofícios que os expositores vêm mostrando no certame constitui a principal fonte de rendimento dos jovens que, diante da crise económica que o país enfrenta, apostam no desenvolvimento do auto-emprego. Na feira, os jovens criativos e empreendedores mostram, para as mais de quatro mil pessoas que que diariamente visitam o certame, produtos diversos e reciclados que podem servir de verdadeiros instrumentos de alavanca e apoio à diversificação da economia nacional.

César Freitas, proveniente da província do Cunene, trouxe para a feira uma rede de produção de sabão feita por si. Em entrevista ao OPAIS, disse que é com este produto que tem garantido o seu sustento e da sua família, tendo em atenção que a província, à semelhança de outras partes do país, debate-se com o problema de desemprego. Porém, de forma a acudir outros jovens com dificuldades sociais, César Freitas está a partilhar essa técnica com outros jovens interessados no fomento do autoemprego. Até antes do arranque desta Feira, o projecto de partilha de conhecimento esteve centrado na formação de dezenas de jovens da sua terra natal, onde já há muitos que sobrevivem da produção do produto caseiro que é feito a base de soda, água e óleo vegetal.

Para os próximos tempos, caso haja aposta e apoio das autoridades, o jovem empreendedor tenciona exportar a sua arte a outras províncias, bem como para o exterior do país, de forma a criar mais postos de trabalho e promover a sua criatividade. “Temos máquinas próprias e através dos centros de formação temos vindo a formar centenas de jovens que hoje ganham a vida com a arte. Com a realização da feira, achamos por bem divulgar o nosso trabalho e criar novas parcerias, de forma a alargar o negócio”, frisou.

Já Joaquim Sulamba, proveniente da província de Benguela, aproveitou o certame para trazer a sua linha de produção de sapatos artesanais. Explicou que, apesar de a matéria-prima ser cara, o exercício desta actividade, também considerada de arte, compensa. Contou que também está a partilhar a técnica com outros jovens da sua terra natal, de forma a driblar o desemprego. “O material é caro, todavia, a produção é simples. É com esse espírito que vamos formando mais pessoas, de forma a tornar os jovens independentes”, atestou. Já Armando Fernando, natural de Luanda, expôs na Feira uma inovação que acredita que pode vir a revolucionar o sistema eléctrico dos automóveis, com recurso a métodos simples.

Reconhecimento da competência

Manuel Mbangui, director do Instituto Nacional do Emprego e Formação Profissional (INEFOP), revelou que, doravante, a FENAFOPE passará a ser realizada em simultâneo com o encerramento do ciclo formativo do sistema nacional de formação profissional. De acordo com o responsável, o evento que hoje termina superou as expectativas, pelo elevado nível de concorrência, apesar de ser a primeira vez. A FENAFOPE propõe-se a ser um espaço de comunicação entre os cidadãos e os diversos operadores económicos, de orientação e debate em matéria de formação e empreendedorismo.

Segundo o director do INEFOP, o certame serve igualmente como um palco de exposição dos resultados concretos da actividade formativa realizada durante o ciclo formativo para aferir a capacidade técnica dos recém-formados. Por outro lado, serve também para os jovens empreendedores de sucesso que tenham beneficiado dos diversos programas, no domínio do emprego, partilharam experiências. “Embora seja a primeira experiência, registámos um nível de visitantes que ultrapassou a nossa expectativa. A ideia é continuar a trabalhar para somarmos no próximo ano”, finalizou.