Carta do leitor: É preciso acabar com a confusão

POR:Francisco Lucas de Cravalho

Caro director, O nosso Governo tem de perceber que os resultados da Operação Resgate vão demorar. Não pode haver pressa. No meio vão surgir muitas críticas e muitas tentativas de sabotagem. Mudar mentalidades não é de um dia para o outro. Portanto, nos jornais e nas rádios vão sempre aparecer muitas vítimas, umas que serão mesmo vítimas e outras para se aproveitar. E algumas encomendadas para maldizer o Estado, o Presidente e o ministro do Interior. Sempre tivemos pobreza e sempre tivemos quitandeiras. Na era colonial já havia mulheres a calcorrear o asfalto da cidade com fruta ou peixe à cabeça. Nós, os meninos daquela época, sabíamos onde comprar bombó assado, jinguba, pirolitos. Sabíamos dos mercados para a fruta e os legumes, mas agora está tudo feito uma balbúrdia. No meu tempo diríamos que tudo se transformou num congo. Há agora mais gente em Luanda e não há empregos, mas se não há empregos também não há dinheiro, o que vendem então estes milhares de zungueiros que ocupam as ruas? A quem vendem? Se há vendas, ao menos que haja organização, é tudo o que se quer e se pode pedir. Eu apoio a Operação Resgate porque o nosso país está numa confusão sem qualificação possível. Homens barbudos a urinar na rua em pleno dia e sem qualquer pudor, as mulheres também. Qualquer um faz de taxista e pára onde lhe apetece, não se respeita nada e nem ninguém, perde-se horas no trânsito, os polícias, alguns, estão interessados apenas na gasosa. Onde há uma ponte as pessoas passam por baixo e atrapalham o trânsito. Há barulho por todo o lado, não se respeita os vizinhos, nada. Sim, o Estado tinha de fazer alguma coisa. Mas vai levar tempo.