Quase natal

Vejo imagens de outras paragens e por lá já se vive o Natal. Nota-se pelas reportagens das televisões e revistas, as notícias sobre os números de vendas, os preços dos produtos, o aquecimento da economia com a contratação temporária de trabalhadores por lojas e fábricas. Nota-se pelas imagens das cidades iluminadas, com presépios públicos, ruas enfeitadas, concertos públicos em centros comerciais, de surpresa, etc.. O “clima Natal” está instalado, os corações mais abertos, os sorrisos mais fáceis, a alegria mais presente. É consumismo puro? Talvez, mas engaja toda a gente. E as crianças, estas, felizmente creem, sonham, são crianças. Era preciso nunca ter sido criança para não entender a magia do momento em que se recebe um presente de Natal, um brinquedo. Por cá, bem, nós por cá estamos num “quase Natal”, mal se ouve falar do fulano. Nas ruas não o vemos, não há luzes, não há grupos corais pelas esquinas, as lojas mal anunciam os seus produtos, as empresas despedem trabalhadores, quase ninguém nos acena com o sonho, com a magia da época. Estamos a viver apenas um quase Natal, porque o calendário o impõe. Está meio-triste este ano. Nem já a azáfama dos cabazes, nada. Que passe depressa e que venham as penas do próximo ano, que se anuncia difícil. Se o país está duro, ao menos as famílias inventem a magia para os seus fi lhos. É difícil, mas é essencial, num bolo de panela que seja, num boneco feito com cascas de ovos, num presépio de musgo para o Menino Jesus, que o Pai Natal está na Europa, onde há dinheiro. Voltemos todos a ser crianças por um bocado.