representante da onu encoraja Governo a reforçar políticas para a juventude

O representante da organização das nações unidas (onu) em Angola, Pier Paolo Balladelli, encorajou recentemente o governo angolano a reforçar programas, políticas e estratégias para os jovens, simplificando-os no sentido de apoiar o emprego desta camada

Por: Alberto Bambi

Paolo Balladelli, que dirigiu o mesmo apelo à sociedade civil e aos parceiros internacionais que actuam no país, chamou a atenção das pessoas para não entenderem dinâmicas do género como inexistentes. “Quanto às estratégias do Executivo angolano, nos dias de hoje, são boas, mas a parte dura consiste na sua implementação, por isso, é aqui que temos de nos focar”, referiu o representante da ONU, tendo adiantado que essa temática impõe ainda questionamento por parte de muitos.

Adiantou que o foco a que se refere exige, primeiramente, preparar a juventude profissionalmente, apoiá-la em outras iniciativas e, sobretudo, criar espaços de convivência para essa franja, de modo a poderem tratar dos seus assuntos de forma mais apropriada, amadurecê-los e aplicá-los na sociedade.

“Temos de nos focar também na efectivação, porque temos leis, políticas e estratégias, entretanto, devemos aplicar recursos, gestão, baseados em resultados, para monitorar os avanços e corrigir quando há necessidade de o fazer”. Acrescentou ser preciso olhar com muita atenção para os resultados alcançados.

Considerando que Angola é o terceiro país com a fertilidade mais elevada do continente, Paolo Balladelli sublinhou que, a continuar com essa velocidade, 30 anos depois poder-se-á ter uma demanda populacional dobrada, na ordem dos 56 milhões de habitantes.

Tendo um registo a dobrar, representa uma desarmonização em relação ao desenvolvimento do país, razão pela quál, segundo avaliou o especialista, há que fazer um trabalho importante.

Paolo Balladelli socorreu-se, por outro lado, da máxima segundo a qual os jovens são a força motriz de um país, para dizer que essa lógica só funciona se estes forem aproveitados e encaminhados. “Até porque podem ser também uma fonte de instabilidade, porque, se acontecer que não tenham emprego, nem os seus sonhos e as suas aspirações alcançados, transformam-se num elemento que vai causar problemas, ao ponto de vir a ser gatuno, violento ou mesmo tóxic-odependente.

O representante das Nações Unidas reconheceu que o momento que o país atravessa não é dos mais saudáveis em termos financeiros, entretanto, realçou ser em período de crise que é preciso engendrar estratégias eficientes.

Doações a Angola condicionadas
“Angola perdeu alguns apoios, pois os bancos internacionais já não fazem doações, mas ainda fazem empréstimos com taxa muito baixa”, começou por dizer Paolo Balladelli, ao ser questionado sobre o facto de Angola estar proposta para o patamar de país de rendimento médio.

Atestou que, até ao ano 2021, para as Nações Unidas e uma série de instituições internacionais, o país está na fase de graduação. Porque será em Fevereiro deste ano que se efectivará essa graduação, no país, e se vai perder, efectivamente, concessões ao nível internacional.

Para o combate do VIHSIDA, por exemplo, Balladelli referiu que, em função do envolvimento do Fundo Global, do Governo norte-americano, das Nações Unidas e de várias fundações, ainda existe uma cobertura de cerca de 30 milhões de dólares americanos por ano, que é o subsídio da comunidade internacional.