Arcebispos de Barcelona encobriram padre pedófilo que fugiu à Justiça

Três arcebispos de Barcelona, todos eles cardeais, incluindo o actual, Juan José Omella, esconderam o paradeiro de um padre espanhol, que desapareceu a 18 de Maio de 1988, depois de ter sido acusado de abusar de uma criança de 13 anos, nesse ano, com uma acusação pendente de cinco anos de prisão.

Nunca mais se soube de Jordi Ignasi Senabre (identificado como Sanabre nalguns documentos), que tinha sido pároco de Polinyá, em Barcelona, até Janeiro de 1994, quando foi detido no Uruguai por ter entrado com visto de turista. Espanha ainda pediu a sua extradição a 4 de Março desse ano, mas a mesma foi negada em Junho seguinte.

E o padre voltou a desaparecer sem deixar rasto. Até ontem, quando o jornal El País revelou que Sanabre se encontra na diocese de Santo Domingo de los Colorados, no Equador. Ele esteve sempre ali – e a arquidiocese de Barcelona sempre soube, apontou jornal madrileno.

Ele informou a sua diocese em 1990, após o envio de um pedido por carta, confirmou o vigário-geral de Santo Domingo, Galo Robalino. Contactado pelo El País, Sanabre desligou ao saber que era um jornalista espanhol: “Você está errado.” Já o vigário da diocese equatoriana, por telefone, não só se mostra consternado com a notícia, de que fica a saber pelo jornalista, como ajuda o jornal a reconstituir o encobrimento da arquidiocese de Barcelona.

“Esta notícia é uma surpresa, eu soube por si,”, disse Robalino ao jornalista. “Duvido que tenha sido denunciada a sua situação, não acho que o bispo de então, Don Emilio Stehle, tivesse permitido [que Sanabre exercesse], mas vamos olhar para o arquivo deste padre para ver o que está lá”, explicou. Ao abrir a pasta de Senabre, o vigário-geral encontrou a carta do bispo de Barcelona, datada de 1990: “Confirmo que esta não diz nada, nada da queixa contra ele em Espanha, é apenas um pedido para que o acolhamos.”

A arquidiocese de Barcelona argumentou perante a Justiça espanhola, em 1991, que Sanabre, havia deixado o país “em missão”, mas não esclareceu mais nada. Barcelona mudou de arcebispo em Março de 1990, com a saída de Narcís Jubany e a chegada de Ricard Maria Carles. Segundo o jornal, pelo menos três bispos da cidade desde 1990, todos os cardeais – Carles, Lluis Martinez Sistach e o actual, Juan José Omella – tiveram conhecimento do paradeiro do padre. A arquidiocese recusou-se a responder ao jornal.

O El País revela ainda na sua edição de ontem. Domingo, que a Igreja espanhola usou este esquema com outros sacerdotes acusados de abusos. O jornal identificou 18 religiosos que foram enviados para a América Latina e África, em missão. Alguns tinham sido descobertos em Espanha, outros foram presos nos países para onde foram.