CICA desencoraja acusação de imoralidade aos afectados com VIH-SIDA

Más interpretações sobre o adultério, resistência de algumas confissões religiosas na instrução sobre a educação sexual e o antagonismo à recomendação do uso do preservativo, bem como as promessas milagrosas de cura têm constituído um retrocesso das campanhas de luta contra a doença do século, de acordo com algumas entidades afectas à causa

Texto de:  Alberto Bambi

A Secretária-geral do Conselho das Igrejas Cristãs de Angola (CICA), Deolinda Dorcas Teca, recomendou às instituições religiosas não considerarem os afectados com VIH-SIDA como pessoas imorais, tendo observado que se devia deixar a interpretação segundo a qual esses doentes adquiriram a doença por via do adultério ou mesmo prostituição.

“Porque muitos ainda pensam que o Vírus de Imunodeficiência Humana é adquirido quando a pessoa comete adultério ou traí o parceiro”, referiu a pastora, que é carinhosamente trata- para o planeamento da por Reverenda Deolinda Teca, tendo realçado que a relação sexual não constitui a única via de contágio do vírus.

Alertando ser urgente e necessário desassociar a questão da SIDA e a da moralidade, a Reverenda Deolinda Teca assegurou, igualmente, a obrigação moral que as igrejas têm de olhar para esta dimensão das variadas formas de contaminação do Sida e encarar o VIHSIDA na perspectiva de ser uma doença similar às outras.

Está missão veio reforçar aquilo que já está em nós, porque a questão do VIH-SIDA não é uma questão imoral então é necessário que as igrejas olhem para esta dimensão das variadas formas de contaminação do Sida e o encarem o VIH-SIDA numa outra perspectiva, isto é, como uma doença similar às outras.

“Reconhecemos facilmente que essa epidemia mata, mas também a dor de cabeça mata, como qualquer outra doença pode provocar esse fim fatal, pois toda e qualquer dor contrária ao ritmo normal do nosso organismo, leva-nos à morte”, realçou a pastora, tendo argumentando que daí resultava a razão de ser das campanhas de sensibilização e mobilização da comunidade cristã, neste sentido e sobretudo na questão da prevenção.

Escolhida pela Primeira-dama da República de Angola como uma entre os embaixadores da Campanha Nascer Livre para Brilhar, a sacerdotisa gabou- se, considerando que, para si, se tratava, praticamente, de uma revisão, porque, antes de assumir a responsabilidade do Concelho das Igrejas Cristãs de Angola (CICA), já trabalhou com as igrejas em Angola, São- Tomé, Moçambique, Guiné Bissau e Moçambique, no âmbito do Programa do Conselho Mundial das Igrejas, isto é da iniciativa ecuménica de Luta contra o VIH-SIDA. Segundo a líder religiosa, ao lançar-se a referida campanha, que é um programa totalmente virado para a criança, está a promover-se a prevenção do vírus e da doença dentro do processo da transmissão de mães para filhos, como a dar-se a possibilidade de as mulheres para se informarem mais sobre as implicações da endemia.

O que se precisa é desenvolver a informação, não querendo com isso dizer que a mensagem do género não exista, soube este jornal da embaixadora da campanha, para quem a necessidade passa exactamente pelo aprimoramento da informação, educação para prevenção, devendo olhar-se, principalmente, para a questão da educação sexual e a da preventiva, além da saúde reprodutiva. cedida

 

Doença de multipla dimensão

No entender da interlocutora de O PAÍS, a temática do VIH-SIDA possui várias dimensões, ao ponto de exigir que não se possa falar desta endemia sem se abordar a violência baseada no género, a saúde reprodutiva ou a desigualdade do género, por constituírem aspectos directa ou indirectamente ligados ao fenómeno.

“Então, nós, os líderes religiosos, temos quota-parte da responsabilidade, porque estão sob as nossas mãos as comunidades religiosas, razão pela qual deve ser o nosso trabalho reforçar os contactos com as igrejas cristãs”, realçou.

Relativamente ao uso do preservativo, vulgarmente conhecido por camisinha, a pastora recordou que este meio protector surgiu antes da história da Sida, porque primeiro foi descoberta, depois foi usada por profissionais da Saúde a fim de garantir a prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DTS), além de ser utilizado.

 

 

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