Zungueiras partilham experiências com universitários

Um grupo de vendedeiras ambulantes, vulgo Zungueiras, foram à Universidade Óscar Ribas (UOR) partilhar as suas experiências e conviver com estudantes e os membros do corpo directivo e docente dessa instituição, no Sábado. Santa Esmeralda Cauanga surpreendeu os presentes ao afirmar que, apesar de ser muito jovem, já lutou muito pela vida. “Almejo ser alguém na vida. Não consegui.

Bati a muitas portas, mas sem sucesso. Agora decidi que me dedicarei apenas à zunga para poder sustentar os meus filhos e eles possam ser alguém”, frisou. Para tal, tentou matriculá-los nas escolas públicas, mas não conseguiu por insuficiência de vagas, pelo que se viu obrigada a inseri-los numa escola privada.

As vendedeiras contaram que muitas vezes não vêm outra solução senão atirar-se com os efectivos da fiscalização que tentam se apropriar dos seus bens, por recordarem que os seus filhos, em casa, aguardam pelo seu regresso à casa com alimentação e dinheiro para pagar as propinas.

O reitor da Universidade, Eurico Wongo Gungula, revelou que não existe nenhuma relação entre o evento e a Operação Resgate, uma vez que a mesma foi preparada muito antes de se saber que o Governo desencadearia tais acções. “Desde 2013 que temos realizado actividades semilares”, explicou, enumerando os centros de pessoas carenciados por onde passaram.

O escritor John Belas, na qualidade agente da Admistração do Talatona no evento, fez uma incursão sobre os poderes transferidos do Governo provincial para a instituição da qual faz parte, com o intuito de convencer os presentes de que dias melhores virão.

Reconheceu que a venda ambulante é um trabalho digno, no entanto, apelou a exercerem- no nos locais indicados pelas autoridades e que estejam limpos. “As zungueiras são pessoas protegidas pela nossa administração”, frisou.

E acrescentou que “se algum fiscal dessa circunscrição fizer algo que vocês acharem que não é digno podem denunciar à Administração”.

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