Ajustamento da taxa de câmbio leva Reservas Internacionais a decrescer 11,13%

As reservas internacionais brutas (RIB) em Angola situaramse, no mês de Outubro, em 16 mil e 200 milhões de dólares (13 mil e 850 milhões de euros), contra os 17mil e 090 milhões de dólares (15 mil e 100 milhões de euros) de Agosto de 2018. Sobre o assunto, o economista Alexandre Ernesto refere ser um percurso normal, consequência do ajustamento da taxa de câmbio

De acordo com o economista Alexandre Ernesto, é preciso encarar a descida das reservas internacionais como consequência do actual contexto financeiro. Segundo ele, desde o início do ano foi estabelecida uma nova política cambial, com maior destaque para uma maior taxa de câmbio do que a que o país está a viver, tendo em conta a crise em descrença na valorização do kwanza, que perde o seu valor face às outras moedas. Por esse motivo, segundo ele, registamos um declínio das reservas internacionais em consequência da actual política financeira.

“ É uma política necessária, tendo em conta o actual contexto, porque se não existir ajustamento da taxa de câmbio, o Governo ou o Banco Nacional de Angola estariam a subsidiar as importações”, explica. Para Alexandre Ernesto, assusta o facto de as reservas internacionais brutas (RIB) em Angola situarem- se a 11,13% desde Agosto, isto é, numa redução a dois dígitos, pelo facto do início do segundo semestre no corrente ano o BNA ter passado a ser mais regular nos leilões e, por aí, dar por encerradas as compensações dos anos anteriores.

“Hoje, grande parte das necessidades de cambiais são para atender as questões actuais, de tal forma que nos próximos tempos as reduções significativas poderão não significar, considerando que o contexto não se altere”, explica. Em seu entender, é um percurso normal que já era esperado. Só assusta pelo facto de olhar para a situação imediata, mas é consequência de um processo que começou desde o mês de Janeiro. Segundo o economista, com a actual taxa de câmbio está-se a limitar a possibilidade de eventuais produtores poderem exportar de forma competitiva, mas é importante ressaltar que, num contexto anterior, a forma como se estava a manter a taxa de câmbio, por si só, era difícil atrair investimentos e garantir a manutenção do poder de compra.

“Estamos a sair de um contexto de 40% para 20%, que ainda é considerado elevado, contudo, esforços desta natureza são fundamentais para alcançar estabilidade de preços e a gestão das reservas, porque não podíamos usar reservas para subsidiar importações”, salientou. Questionado sobre as medidas que devem ser implementadas para que se verifique nos próximos anos uma subida das reservas internacionais, referiu que a curto prazo é preciso apostar na gestão eficiente das reservas e atrair mais investimentos externos para contribuir para um melhor posicionamento das reservas internacionais. Já a médio prazo, é preciso vender mais, daí a maior aposta na produção interna.

“Para termos mais reservas é preciso produzir mais. Temos um conjunto de investimentos que não foi realizado nos últimos seis anos e teve como consequência uma redução da capacidade do país”, ressalta. O banco central angolano indicou também ter decidido «manter a taxa BNA em 16,5%», mantendo igualmente inalterados os coeficientes das Reservas Obrigatórias. «Estas decisões foram sustentadas pelo facto de a inflação homóloga continuar a manter uma trajectória decrescente, bem como pela evolução da base monetária, variável operacional da política monetária, que contraiu 6,36% em termos homólogos.»

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