Preocupante

“Vamos pôr termo, principalmente, à alta corrupção neste país, custe o que custar, pois não podemos ter uma Angola melhor enquanto continuarmos a ter os desequilíbrios que temos”, disse Rui Falcão, ao discursar Sábado no acto provincial antecipado para a assinalar o 62º aniversário da fundação do MPLA”. Rui Falcão é o governador de Benguela e primeiro secretário do MPLA na província. Por que é que trago para aqui esta citação? Porque mereceu destaque noticioso e porque Rui Falcão não é o único dirigente do MPLA a ter este discurso político. E também porque, na verdade, este discurso não é novo, apesar de agora parecer mais radicalizado depois de a Procuradoria Geral da República ter dado nota pública da abertura de alguns processos. Mas, sobretudo, trouxe para aqui o assunto porque estou a ficar mesmo preocupado. “Vamos pôr termo à alta corrupção” parece-me uma promessa demasiado arriscada, e irrealizável para quem faz a promessa no timming político que tem. Creio que o combate à corrupção deve ser feito com realismo, sobretudo pelo MPLA, o único partido que governou Angola desde a Independência e permitiu o florescimento do mal. Pôr termo em quanto tempo? Quem? Quando é que realizaremos o encontro de contas para aferir se a tal alta corrupção foi mesmo extirpada? Começo a ficar preocupado e começo a duvidar que, com mera propaganda, se chegue lá. Tomara eu que se trabalhasse mais e se falasse menos.

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