Crianças mostram habilidades no domínio das artes plásticas

Os artistas pertencem ao projecto Sol de Cacimbo - Artes e Ideias do Município de Viana, gerido pelo artista plástico António Gonga, o qual se fundiu à operadora de telefonia móvel Unitel

POR: Adjelson Coimbra

Pequenos talentos integrados no Clube da Criança da Unitel exibiram os seus potenciais dons em pintura, esta Terça-feira, no município de Talatona, em Luanda A mostra, focada na educação inclusiva e equitativa de qualidade, promoção de oportunidades e de aprendizagem para as crianças angolanas, juntou infantes e jovens com idades compreendidas entre os 7 e os 17 anos, na sede da Unitel. Neste projecto, os pequenos artistas, num total de 30, concentraram as suas criações em torno da temática do Natal.

Os artistas pertencem ao projecto Sol de Cacimbo – Artes e Ideias do Município de Viana, gerido pelo artista plástico António Gonga, o qual se juntou à Unitel, resultando na criação da Oficina de Artes Plásticas, em Setembro último. Esta iniciativa assenta em três pilares estratégicos: saúde, desporto e arte. Nesta Oficina de Artes Plásticas, onde participaram cerca de 30 crianças, com idades entre os Os artistas pertencem ao projecto Sol de Cacimbo – Artes e Ideias do Município de Viana, gerido pelo artista plástico António Gonga, o qual se fundiu à operadora de telefonia móvel Unitel 7 e os 17 anos, os jovens criadores mostraram as suas habilidades nos domínios da pintura e do desenho, com destaque para o desenho livre.

As obras expostas retratam o Natal, mas de formas diferente, tal como OPAÍS constatou na pintura do jovem Milton Fernandes, de 16 anos, cujo quadro exalta Jesus Cristo. O jovem realçou que o seu quadro simboliza uma bênção, a mesma que foi passada para outras famílias e sobretudo, um dia de muita felicidade. Milton Fernandes começou a pintar aos 11 anos e actualmente tem 16. A intenção, segundo o jovem, é prosseguir uma vez que já existem apoios. Milton Fernandes advoga a mudança e a diferença entre o pobre e o rico. “O que se pode constatar é que os artistas vivem muito de solidariedade e não são valorizados como tal”, disse. Já Adilson João, de 14 anos, salienta que através da sua pintura representou uma pessoa rodeada por árvores de Natal e presentes.

O menino admitiu haver quem esteja a precisar de adornos para a quadra natalícia e nesta obra garante que as pessoas podem encontrar o que não têm. Luís Vunge da Silva, de 16 anos, é também um dos integrantes do projecto, que na sua criação ilustrou uma casa em festa de Natal e gostaria que meninos de rua também integrassem o projecto. O pequeno artista afirmou que as crianças ficam impressionadas com desenhos e quando são elas a fazer a emoção aumenta, o que é divertido e os ocupa. “É necessário que os nossos pais comprem sempre brinquedos e materiais de desenho para que não andemos à deriva na rua”, aconselhou.

Mentor do projecto enaltecido O artista plástico António Gonga é o mentor do projecto Sol de Cacimbo e conta que a inspiração para ensinar aos mais pequenos vem do tributo que teve quando era também adolescente. O professor aconselhou as pessoas de vários estractos socais a contribuírem com algum material como fizeram os que o transformaram num verdadeiro artista. O projecto começou a ser implementado em 1994. De lá para cá já passaram por ele vários meninos. Dos mais destacados artistas constam Manuel Ventura, António Cabuto, Venâncio Gonga, pertencentes a década de 1990. “Sinto- me honrado ao ver os meus artistas num espaço como a Unitel, uma empresa de que se deve reconhecer o prestígio que tem e que traz notoriedade e responsabilidade social a um projecto desta dimensão artística.

”Julgamos que é muito importante essa combinação, para a emancipação das crianças no mundo da cultura”, disse. Para António Gonga, a Cultura, sobretudo no meio rural, ainda não é um fenómeno de consumo corrente e essas crianças poderão ser pré-monitoras para a disseminação que se pretende na sociedade do usufruto do bem cultural a todos os níveis. O artista realça que é necessário que a sociedade dinamize mais os espaços de usufruto de arte, mas queixa-se do facto de, pelos anos que Angola tem de independência, não haver nenhuma galeria nacional onde se possam admirar obras de arte de personalidades anteriores a esta geração. “A Unitel fez uma pequena parte, a parte maior é feita pelas próprias crianças”, disse. Por seu turno, Eunice de Carvalho, directora-adjunta para os assuntos corporativos, admitiu que a vida dessas crianças pode mudar, começando pelo projecto que lhes dá uma alternativa para não vaguearem pelas ruas e concentrarem- se apenas em algo positivo. “A arte ajuda a mente a crescer. Então, achamos que é uma influência que vai ficar com eles para o resto da vida”, acrescentou.

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