Inadmissível

Para quem queira perceber exactamente em que estado está o país, há um dado que pode ajudar: na maternidade do Lobito, em dez meses registaram-se trezentos e dezasseis mortos. Uma média de trinta por mês e um por dia. Média tirada por baixo. Está quase tudo dito. Quase apenas, porque, certamente, quadros semelhantes, ou piores, Santo Deus! haverá noutras localidades. E este número até é superior ao do ano passado, que foi de duzentos e quarenta e quatro. Ontem escrevi sobre o discurso do governador de Benguela, Rui Falcão, que promete a irrealizável meta de acabar com a alta corrupção, sem indicar prazos, mas um Governo em Angola dura cinco anos, como se sabe. Eu quero o fim da corrupção, mas não quero que nos ceguemos com este discurso enquanto catástrofes destas acontecem. É obrigatório fazer as duas coisas ao mesmo tempo, que os órgãos de justiça trabalhem, com todo o apoio necessário, no combate à corrupção, e que os políticos se dediquem a criar dignidade na vida das pessoas. Não quero que o combate à corrupção se transforme num carnaval, com distribuição de folhetos e discursos por quem nem nisso tem papel algum, enquanto o sofrimento das pessoas se agudiza. Independentemente das causas, noutras realidades, números destes dariam muito que falar, ao mais alto nível. É simplesmente inqualificável. E inadmissível.

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