Pelo menos dois mortos e 44 feridos em acção de campanha da oposição congolesa

Pelo menos dois membros da coligação ‘Lamuka’, do candidato da oposição Martin Fayulu às presidenciais congolesas de 23 de Dezembro, morreram hoje em confrontos na cidade de Lubumbashi, República Democrática do Congo (RDCongo), tendo outras 44 pessoas sofrido ferimentos.

As mortes, que ocorrem em plena campanha eleitoral, terão resultado do uso de “balas reais”, segundo a Organização Não-Governamental (ONG) Associação Congolesa para o Acesso à Justiça (ACAJ), citada por órgãos de comunicação locais. “Segundo o monitoramento da ACAJ depois da violência em Lubumbashi, o balanço provisório é o seguinte: dois mortos por balas reais entre os membros da coligação ‘Lamuka’, um polícia gravemente ferido e em estado crítico, e 43 feridos, 15 deles a tiro”, consta no boletim da ONG, citado pelo portal congolês ACTUALITE.CD.

Os relatos recolhidos pela ONG indicam que “certas autoridades político-administrativas da província de Haut-Katanga instrumentalizaram um grupo de jovens para tentar travar a reunião pública de Martin Fayulu”. Devido aos protestos, a realização da manifestação pública a favor de Martin Fayulu foi impedida, a 12 dias das eleições gerais na RDCongo. A presença de Fayulu em Lubumbashi foi condicionada desde a chegada ao aeroporto local, onde uma concentração com vários apoiantes do candidato presidencial foi dispersada pela polícia congolesa. Para fazer dispersar a multidão, a polícia congolesa recorreu a camiões antimotim e gás lacrimogêneo. Fontes no local relataram à rádio congolesa Okapi que vários veículos foram incendiados por manifestantes indignados.

Em 11 de Novembro, Martin Fayulu, de 62 anos, antigo quadro do sector petrolífero formado em França e nos Estados Unidos, foi designado candidato único da oposição para tentar suceder ao actual Presidente, Joseph Kabila. Para o efeito, sete líderes da oposição reuniram-se em Genebra e seleccionaram o candidato comum para as eleições presidenciais. No dia seguinte, Félix Tshisekedi e Vital Kamerhe anunciaram que se retiravam do acordo que colocava Martin Fayulu como candidato único, manifestando-se insatisfeitos com a escolha.

Em finais de Novembro, o antigo presidente da Assembleia nacional da RDCongo, Vital Kamerhe, anunciou a retirada da sua candidatura às presidenciais para apoiar o candidato Félix Tshisekedi. As eleições presidenciais vão designar o sucessor de Joseph Kabila, que está no poder desde 2001 e não pode concorrer as estas eleições, uma vez que já cumpriu dois mandatos como chefe de Estado, tal como prevê a Constituição. A campanha eleitoral teve início em 22 de Novembro e prolonga-se até 21 de Dezembro, dois dias antes das eleições, que contam com 21 candidatos presidenciais aprovados pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI)

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