Angola e Hungria perspectivam o reforço das relações culturais

A República da Hungria assinala hoje o bicentenário do cartógrafo e explorador húngaro László Magyar, que chegou à corte real do Bié em 1846, numa expedição proveniente do Brasil

Para abordar aspectos ligados às actividades a realizar para assinalar a data e a futura cooperação cultural entre Angola e a Hungria, a ministra Carolina Cerqueira e o embaixador deste país europeu, Zsolt Maris, analisaram a importância da realização de uma exposição sobre a vida e obra do explorador para a divulgação dos seus feitos ao nível do nosso país.

Durante a audiência, a governante angolana abraçou a proposta do diplomata húngaro, sobre a necessidade do estabelecimento da cooperação cultural com a Hungria nos domínios da formação artística, com enfoque para a formação musical e intercâmbio entre os museus de ambos os países.

Carolina Cerqueira avançou que a intenção é dotar os jovens angolanos, ligados ao mundo da música, de conhecimentos práticos e teóricos, despertando o talento para melhor se dedicarem ao mundo da música, em particular a lírica e clássica, muito valorizadas e reconhecidas na Hungria e no mundo.

A dirigente da Cultura no país destacou ainda que ela é uma fonte de união entre os povos, razão pela qual deve merecer uma atenção especial no reforço da amizade, conhecimento, intercâmbio e cooperação entre os povos e países. Por sua vez, o embaixador húngaro sugeriu entre outras actividades que se perspective uma cooperação museológica de cariz educativo e no âmbito da Cultura da Paz entre o Museu do Holocausto da Hungria e o Museu da Escravatura de Angola, proposta que a ministra da Cultura acolheu e considerou ser um bom ponto de partida para o início do intercâmbio cultural.

László Magyar László Magyar nasceu em 1814, na cidade húngara de Szombathely, viveu 17 anos em Angola e contribuiu para o estudo da geografia e da etnografia da África Equatorial. Formado como oficial de marinha, serviu nas forças navais da Áustria e da Argentina. Em 1846, realizou a sua primeira expedição na África, numa viagem até ao rio Congo. Ao longo da sua permanência no reino do Bié, ganhou a confiança do rei Kayaya Kayangula, acabando por casarse com a sua filha Ozoro.

Através do seu casamento ganhou acesso às regiões do interior do continente africano e, entre 1849 e 1857, fez seis viagens para as fontes dos rios Congo e Zambeze, regiões que, na época, eram ainda de difícil acesso para os europeus visitarem. Escreveu três volumes com notas e observações etnográficas e geográficas, com enfoque nas populações da região Kimbundu. Um volume foi publicado na Hungria, mas os manuscritos dos outros dois volumes, juntamente com os periódicos de Magyar, foram dados como perdidos, provavelmente destruídos no incêndio de um depósito após a sua morte em 1864.

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