Carta do leitor: As Viagens de Ladislau Magyar

À prezada direcção de “OPAÍS”. Esta Carta do Leitor deve- se a um mal-entendido relativo ao viajante húngaro Ladislau Magyar que, de acordo o livro, em tradução alemã, que tenho diante dos olhos, teria estado no Centro-Sul de Angola entre 1849 e 1857. Pelo que eu saiba, a obra maior desse “sertanejo” europeu, seriam as “Reisen in Sued- Afrika in den Jahren 1849 bis 1857” ( Viagens à África Austral entre 1849 e 1857).

Ora, nesta obra provida de gravuras, muito provavelmente da autoria do citado, oficial, há referência a pessoas designadas, erradamente, por “Kimbundus”. Apesar disso, não apenas pelas descrições das gentes como pelas paisagens e, por fim, por curtos textos, torna-se evidente que Magyar se reportava a Ovimbundu do Bié e não aos ditos” Kimbundus”.

Visto naquela época, as elites dos dois maiores povos angolanos, terem, consciência de uma remota origem comum, Luba, no Sul oriental do Congo (Kinshasa), como ambas provinham ainda dos “N’Gola”, grandes guerreiros, vindos do Norte, os chamados “Jagas”, portadores de uma técnica do ferro mais elaborada que a encontrada por cá.

Alguns portugueses, instalados no litoral, sobretudo devido às dificuldades de comunicação, confundiam as duas etnias. Daí o erro de Magyar. O destino deste homem europeu, parece ter sido trágico. Com efeito, há provas na antiga tradição oral biena que o forasteiro teria casado com uma filha do Grande Osoma local.

O casal haveria gerado diversos filhos, cujo rastro se perdeu. Também consta que Magyar teria regressado à Europa, porém, roído de saudade, regressara a Angola, contudo, acabaria por morrer no Dombe Grande.

Muito obrigado pela atenção

Arlindo Barbeitos

Luanda, Alvalade

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