Escassez de água desespera citadinos de Luanda em véspera de Natal

População dos bairros periféricos da capital do país que dependem do abastecimento de águas por camiões cisterna, queixa-se da subida do preço e da falta do líquido precioso, enquanto os revendedores atiram-se contra os responsáveis das girafas

A carência de água em vários bairros de Luanda está a permitir aos proprietários de camiões cisterna especular os preços ao cliente. Uma cisterna de 20 mil litros, por exemplo, está a ser comercializada a 6 mil Kz nas girafas, mas os revendedores dos camiões fazem chegar aos seus clientes a preços que variam de 25 a 40 mil Kz, de acordo a distância das residências, conforme garantiram a OPAÍS.

José Ângelo disse que há condutas a serem encerradas e, durante o dia, a pressão das girafas vai baixando, o que está a contribuir para diminuição do número de carregamentos por dia. “Antes conseguíamos fazer duas a três viagens por dia, mas agora temos que acordar muito cedo para fazermos pelo menos um carregamento”, disse. Quintino Filipe, camionista há sete anos, disse que não conseguem honrar o compromisso com os clientes, em virtude dos problemas que estão a registar nos centros de abastecimento, que, por serem poucos a funcionarem, não satisfazem a procura.

Nas girafas situadas nos arredores do Benfica e Patriota, chamam a atenção, há fila de dezenas de camiões que aguardam pela sua vez para o abastecimento com água potável. Os motoristas ouvidos por este jornal dizem que a tendência é a mesma sempre que se aproxima a época festiva, com o aumento da procura por parte dos clientes, mas o horário estabelecido pelas girafas não tem ajudado. “O que está a complicar as coisas é o horário. Agora, até às 13h as girafas encerram, quando antes podíamos abastecer até depois das 15h”, queixou-se o jovem Champanha, camionista há 10 anos.

Os camionistas dizem que há dias em que não conseguem encher sequer uma única vez a cisterna, por causa da enorme fila e da demora que se regista nos postos de abastecimento. Esta situação, segundo dizem, tem comprometido a prestação de contas com os patrões no fim do dia. As áreas periféricas, onde a água canalizada da EPAL tarda a chegar, são as mais afectadas e há cidadãos que alegam estar há uma semana à espera que os camiões cheguem à sua casa, como é o caso de Zeferino da Costa, residente no Bairro Mundial, no município de Belas.

Aliás, é nos compradores de bidões que a situação parece ser mais difícil, tudo porque o bidon de 20 litros está a ser adquirido ao preço de 50 a 100 Kwanzas. “Estamos à espera do jovem que nos trás água há duas semanas. Enquanto isso, somos obrigados a comprar água dos famosos kupapatas, que vendem o bidão de 20 litros a 100 Kz”, referiu Zeferino da Costa. OPAÍS contactou alguns responsáveis de girafas que se recusaram a gravar entrevista, realçando apenas que o horário e os preços são determinados pela EPAL, assim como a questão da pressão da água, que é regulada a partir dos centros de distribuição de água.

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