Com as barbas de molho

A Operação Transparência, que está a ser mais amada que a sua irmã Resgate, talvez por ser melhor comunicada e também mais justificável, ou ainda por visar estrangeiros (e se for só por isso estamos mal), acaba de receber da República Democrática do Congo um suplemento em toda a fundamentação para a sua existência. Na verdade, o Governo angolano pôs as suas barbas de molho antes mesmo dos sinais mais evidentes da possibilidade de eclodir uma onda de “violência eleitoral” na RDC. A experiência tem destas coisas, África tem destas coisas. Agora, com a sabotagem aos armazéns da comissão eleitoral, queimando mais de oito mil máquinas de votação, está o quadro pintado. As evidência são muitas e já se pode dizer que são praticamente inevitáveis tumultos em torno das eleições. A Operação Transparência, com o reforço da vigilância nas fronteiras, ao que parece, não serve de trancas às portas, mas sim às janelas, porque se a coisa correr mal na RDC, o que ninguém deve desejar, Angola servirá de ponto de refúgio para muita gente, certamente, e, havendo a obrigação de solidariedade, seria bom que as pessoas fossem recebidas com dignidade e com segurança. A casa do vizinho começou a arder pelas máquinas de votação, felizmente o Governo angolano já tinha as barbas de molho.