Rafael Marques: “defender direitos humanos em Angola era confrontar o poder do Estado”

O activista e jornalista Rafael Marques de Morais assegurou, em Benguela, que o discurso do actual Presidente da República, João Lourenço, ajuda a quebrar aquilo a que chama de ‘cultura do medo’ e trás a esperança aos cidadãos que crêem na liberdade, no progresso e nos direitos humanos

POR: Eduardo, em Benguela Constantino

De acordo com o jornalista, que animava mais uma edição do Quintas de Debate da associação cívica OMUNGA, a cidadania implica que todos se envolvam nas tomadas de decisões sobre os problemas que afectam o quotidiano das pessoas. Rafael Marques, que considera estarem ultrapassados ‘constrangimentos políticos do passado’, diz que o cidadão deve ter estímulo para exigir mais das instituições do Estado, todavia, julga ser importante que se quebre a barreira do medo. Angola, sublinha o activista, está a entrar numa nova fase em que a nível da presidência há evidência de um discurso que visa desmantelar os pilares do medo e acredita que, actualmente, os cidadãos estejam a perdê-lo.

Como exemplo, aponta as manifestações que se vêm realizando. E diz mais: ‘O PR hoje fala dos marimbondos e, portanto, se nós falarmos sobre os marimbondos, não estaremos a ofender ninguém’, sustenta, asseverando, por outro lado, que esta nova forma de estar na política trás alguma esperança e exige uma alteração de comportamento dos cidadãos. O jornalista investigativo confessa que, durante anos, denunciar casos de corrupção em Angola era confrontar o poder do Estado, mas ‘não se acaba a corrupção com um decreto, é preciso reeducar as pessoas e fazer funcionar as instituições’, considera o jornalista, que não acredita na equipa económica de João Lourenço.

Em relação ao repatriamento de capitais, uma vez que o Governo fez aprovar uma Lei de Repatriamento Coersivo de Capitais, Rafael Marques fala de mecanismos internacionais de que o Estado se pode valer para sustentar essa acção. Não obstante isso, é de opinião que se crie uma comissão que congregue juízes, procuradores e peritos internacionais que se ocuparia do mapeamento dos bens existentes que foram produtos do saque. Dirigindo-se a um auditório constituído maioritariamente por jovens, numa das unidades hoteleiras de Benguela, o defensor dos direitos humanos diz que a corrupção é um mal contra o qual todos os cidadãos devem estar engajados a lutar e não apenas o Presidente da República.

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