RESEARCH Atlantico: O novo acordo da OPEP e os seus desafios

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) realizou a sua última reunião nos dias 06 e 07 de Dezembro do ano corrente, em Viena, Áustria

POR: Atlantico

A OPEP e os seus aliados produtores de petróleo concordaram em reduzir a produção petrolífera em 1,2 milhões barris/dia, desafiando os apelos do presidente norte-americano, Donald Trump para manter a produção em alta, com o intuito de conservar o preço da commodity. Os delegados da Organização declararam que o acordo visa diminuir as preocupações sobre o crescimento do excedente da oferta, que pressionou os preços em 30% nos últimos dois meses. O acordo alcançado na reunião de dois dias prevê a implementação do novo acordo a partir de Janeiro de 2019 e terá uma duração inicial de seis meses. O corte será dividido em 800 mil barris/dia para os membros da OPEP e 400 mil barris/dia para os países não membros do cartel, em que se inclui a Rússia, sendo que a redução incidirá sobre a produção dos países apurada no mês de Outubro de 2018. A medida não deverá atingir a produção da Líbia, Venezuela e Irão.

Destaca-se que no anterior acordo, alcançado em Novembro de 2016 que entrou em vigor em Janeiro do ano seguinte, o cartel estimou um corte similar, de 1,2 milhões barris/dia durante um período de seis meses, com possibilidade de renovação. O comunicado da nova medida adoptada pelo cartel produziu efeitos imediatos, com a cotação do crude a recuperar da tendência de queda. Durante a primeira semana do mês de Dezembro, o preço do Brent atingiu 61,67 USD/barril, um incremento de 5,04%, enquanto o WTI situou-se em 52,61 USD/barril, uma expansão de 3,30%. Entretanto, o mercado mostrase mais céptico relativamente ao impacto que o novo acordo poderá exercer sobre o preço. A posição dos investidores poderá ser justificada pelos receios associados à evolução da procura, numa altura em que as perspectivas de crescimento económico mundial estão mais moderadas.

As estimativas mais moderadas de crescimento reflecte, essencialmente, os riscos associados às tensões comerciais entre os EUA e a China, tal como algumas incertezas concernentes a gestão política na Europa, com possíveis efeitos sobre o consumo mundial. Os dados sobre a evolução do crescimento das principais economias no IIIº trimestre sustentam os receios dos investidores. Nos EUA, o crescimento económico desacelerou de 4,2% para 3,5%. À semelhança, na Zona Euro, desacelerou de 0,4% para 0,2%; no Canadá, de 0,7% para 0,5%; e no Japão, de 0,7% para -0,6%. Por outro lado, o crescimento da produção do petróleo de xisto por parte dos EUA está a contribuir para o cepticismo do mercado, por ser uma alternativa viável, segundo alguns analistas, caso se registe uma redução da oferta de crude por parte da OPEP. Destaca-se que, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a produção petrolífera dos EUA poderá ter atingido 11,5 milhões barris/dia em Novembro, um incremento 150 mil barris/dia face ao período anterior, tornando o país num exportador líquido da commodity.

Em 2019, a agência estima uma produção média de 12,1 milhões barris/dia, sendo que para 2018 a média produtiva deverá situar-se em 10,9 milhões barris/dia. Nota-se que o incremento da produção petrolífera dos EUA equivale ao corte do fornecimento acordado pela OPEP. Durante o mês de Novembro a produção petrolífera dos países membros da OPEP atingiu 32,965 milhões de barris/dia, que apesar de representar uma redução de 11 mil barris/dia face ao período anterior, corresponde a um nível superior aos 32,5 milhões barris/dia definido no acordo anterior. A justificar o desempenho da oferta do cartel esteve, essencialmente, a redução da produção do Irão que mais que compensou o incremento da Arábia Saudita.

A produção da Arábia Saudita atingiu um nível máximo dos últimos dois anos, cerca de 11,016 milhões barris/dia, e superou o limite estabelecido pelo cartel de 10,058 milhões barris/dia, no acordo de Novembro de 2016. O período de maior volatilidade que o preço do petróleo está a atravessar, tem contribuído para as incertezas dos países dependentes das exportações desta commodity, como o caso de Angola. A materialização do novo acordo da Organização, apesar de necessário, poderá despoletar efeitos negativos, sendo que preços mais altos poderão impulsionar outros países fora do cartel a aumentarem a oferta, por um lado, e por outro, podem atenuar a procura por este produto.

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