Telegramas diplomáticos interceptados revelam a ansiedade da Europa em relação a Trump, Rússia e Irão

Hackers acederam à rede de comunicações diplomáticas da União Europeia durante anos por via de telegramas que revelam preocupações sobre o Governo Trump, dificuldades para lidar com a Rússia e a China e o risco de o Irão retomar o seu programa nuclear, informou o New York Times na Terça-feira. Mais de 1.100 telegramas foram fornecidos ao Times pela firma de segurança Área 1 depois de descobrir a violação, segundo o jornal, acrescentando que os investigadores da Área 1 acreditavam que os hackers trabalhavam para o Exército Popular de Libertação da China.

Os telegramas incluem memorandos de conversas com líderes da Arábia Saudita, Israel e outros países que foram compartilhados em toda a União Europeia, segundo o relatório. Um dos telegramas, disse o Times, mostra diplomatas europeus descrevendo uma reunião entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o russo Vladimir Putin, na Finlândia, como “bem-sucedida (pelo menos para Putin)”.

Outro, escrito após uma reunião de 16 de Julho, retransmitiu um relatório detalhado e uma análise das conversas entre funcionários europeus e o Presidente chinês Xi Jinping, que foi citado comparando a “intimidação” de Trump por Pequim a uma “luta de boxe estilo livre sem regras”. Um terceiro, de 7 de Março, mostra Caroline Vicini, vice-chefe da missão da UE em Washington, recomendando aos diplomatas do bloco para descrever os Estados Unidos como “nosso parceiro mais importante”, mesmo desafiando Trump “em áreas onde discordamos dos EUA (por exemplo, sobre clima, comércio, acordo nuclear com o Irão)”. Os hackers também se infiltraram nas redes das Nações Unidas, da Federação Americana do Trabalho e do Congresso das Organizações Industriais (AFL-CIO) e dos ministérios das Relações Exteriores e das Finanças em todo o mundo, acrescentou o relatório.

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