adra antevê ano de 2019 difícil para as comunidades do Sul

o alerta vem da onG ADRA, ao assinalar que a mema resulta da falta de chuvas e da carência de reservas alimentares da época agrícola passada

A Acção de Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA) antevê um ano de 2019 bastante difícil no que diz respeito à produção de alimentos pelas comunidades rurais da região Sul de Angola. De acordo com o director da ADRA/Huíla, Simeone Chiculo, a situação está a afectar milhares de famílias nas províncias da Huíla, Cunene e Namibe.

Para ele, o quadro que se regista de forma cíclica devido à alteração climática, não tem merecido atenção das autoridades governamentais na busca de soluções alternativas para suprir a falta de água para a irrigação dos campos e abeberamento do gado.

Simione estima que cerca de 75 por cento das famílias nesta região já ressentem a fome e a pobreza, provocando um nível de desnutrição que está a atingir maioritariamente crianças dos 0 aos 5 anos.

Esta organização não-governamental que desenvolve projectos de resiliência nas comunidades, com destaque para o município dos Gambos, considera um dos pontos críticos da seca a falta de vontade política de quem governa para dar resposta à situação.

“Os orçamentos atribuídos à agricultura são bastante irrisórios por falta de seriedade da parte de quem Governa”, disse, para quem é necessário “ ajustar o discurso da diversificação da economia com os orçamentos suficientes para a concretização deste desiderato”.

Mais orçamento

Simeone Chiculo defende a quintuplicação do orçamento para assistência técnica às comunidades, e criar-se alternativas para a criação de condições hídricas para suportar actividade predominante da população na irrigação dos campos para agricultura e no abeberamento do gado.

Outra preocupação levantada pelo responsável passa pelo financiamento para aquisição de insumos agrícolas, agravado pela escassez de divisas.
associação Construindo Comunidades Para a Associação Construindo Comunidades, (ACC), a seca no Sul de Angola está na origem da fuga de centenas de crianças e jovens que procuram os principais centros urbanos para a sobrevivência.

Na visão do director executivo daquela organização, Domingos Fingo, o Governo do Presidente João Lourenço deve olhar com atenção e com incidência para os Gambos nos sectores da Saúde e da Educação.
“Verba para agricultura é vergonhosa” Entretanto, esta Sexta-feira, 21, o Presidente da Republica, João Lourenço, reconheceu ser “irrisória e vergonhosa” a verba adjudicada para o sector da agricultura no Orçamento Geral do Estado (OGE) que até então era de apenas 0.3 por cento. Em entrevista colectiva, João Lourenço disse aos jornalistas ser pertinente a diversificação da economia, mas que deve ser feita uma maior aposta no sector produtivo, com destaque para o sector da agricultura.

Por isso, o Governo anunciou que irá quintuplicar a fatia no Orçamento para 2019, passando para 1.6 por cento, a ser empregue em programas de desenvolvimento rural e agricultura. Embora reconheça ser ainda insuficiente este aumento, João Lourenço diz ser uma mais-valia, sobretudo para agricultura familiar, onde a verba será canalizada, porquanto ser a área responsável por 75 por cento da produção interna no país.

“Os fazendeiros, desde que tenham capacidade, recorrem ao crédito junto da banca comercial e resolvem o seu problema”, disse o Presidente Lourenço, para quem o Estado tem obrigações acrescidas e o dever de apoiar com “in-puts e insumos agrícolas” os camponeses associados em cooperativas agrícolas no decurso do exercício da sua actividade no campo.

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