Enchentes e subida de tarifas nas transportadoras de passageiros

os passageiros apelam à intervenção dos órgãos de inspecção por, alegadamente, ser prática recorrente a subida de preços nesta altura do ano, tanto nas transportadoras rodoviárias como nas aéreas

Quando na passada semana se deslocaram à transportadora Ango Real para se inteirarem sobre o preço do bilhete de passagem de Luanda a Benguela, Francisco Jorge e Raúl Vicente encontraram afixado o preço de 5 mil e 600 Kwanzas, o os levou a fazer um orçamento de 28 mil para viajarem com cinco membros de suas famílias.

Na última Quarta-feira, 19, voltaram ao mesmo local, mas, desta vez, com o propósito de adquirirem as passagens. Todavia, foram surpreendidos com o aumento de 1000 kwanzas (Kz) no valor inicial, ou seja, cada bilhete passou a custar 6 mil e 600 kz, por ocasião da quadra festiva.

O que os obrigou a refazer as contas. Ambos ainda pensaram em reclamar, só que não sabiam a quem exactamete. A Ango Real afixou a nova tabela de preços no dia 16 de Dezembro, fazendo menção de que a mesma entraria em vigo no mesmo dia, “apanhando” os passageiros de surpresa. “Há a frustração da expectativa porque estivemos aqui na semana passada e não existia sequer aviso que a partir de data X os preços seriam alterados”, disse.

Acrescentou de seguida que “as coisas não devem ser feitas deste jeito”. Para eles, este é um sinal claro de aproveitamento da quadra festiva que aos poucos se vai tornando uma prática sob o olhar silencioso das autoridades. “Devíamos ser informados primeiro e só depois a medida entraria em vigor”, argumentam.

Viagens adiadas

Entretanto, este acréscimo não está a inibir as famílias, apesar de os preços pesarem cada vez mais nos bolsos. A subida de tarifas não diminui o fluxo de passageiros, segundo constatou OPAÍS no terminal da Macon no Rocha Pinto. Logo à entrada chama a atenção a quantidade de pessoas perfiladas, ávidas por comprarem bilhetes de passagem.

O entra e sai de passageiros e mercadorias é visível em quase toda a extensão. A eficiência registada no aumento do preço por algumas empresas, não se está a reflectir no cumprimento dos horários das viagens. Às 11h35, encontrámos a senhora Júlia no balcão de apoio ao cliente da Ango Real procurando por uma satisfação sobre a hora exacta que sairia de Luanda com destino a Seles (Cuanza-Sul), que estava marcada para às 7h. A viagem já tinha sido adiada um dia antes e até ao momento que falava à nossa reportagem não tinha garantias de quando partiria ao encontro dos seus familiares. Como ela, outras centenas de cidadãos viram também as suas expectivas frustradas e foram obrigados a alterar planos à última hora para poderem deslocar-se ao seu destino.

Para Cabinda, só com 10 dias de antecedência

Dos terminais de transportes rodoviários, a nossa equipa deslocou-se ao Terminal Doméstico do Aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda. Aqui o movimento de passageiros e bagagens entrando e saindo não era diferente ao constatado nas transportadoras rodoviárias.

O elevado fluxo na procura também serviu de oportunidade para as companhias aumentarem o preço dos bilhetes de passagem em cerca de Kz 1000, pelo menos. Só que isso não serviu para inibir os potenciais clientes.

As operadoras não estão em condições de satisfazer a demanda, o que possibilitou a criação de um esquema para a aquisição de bilhetes da TAAG, a companhia aérea de bandeira nacional.

O caso mais flagrante está nas solicitações para compra da passagem para Cabinda. Durante a nossa permanência no local, dirigimo-nos ao balcão de atendimento ao cliente, onde fomos informados

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