Luanda pouco enfeitada para o natal

O espírito de natal toma conta timidamente da cidade capital. em algumas das principais artérias de Luanda as luzes iluminam as noites, trazendo a alegria para quem tem o privilégio de as apreciar, mas não como se via em anos anteriores. Alguns dos entrevistados disseram que se estão a desapegar da quadra festiva, que, devido à situação económica que o país atravessa, vai perdendo a alegria

A situação social e económica do país afectou aquilo que tem sido o embelezamento da cidade de Luanda na quadra festiva. Durante uma ronda feita pelo jornal OPAÍS constatou-se que, em alguns dos municípios nem sequer foi montada uma árvore de Natal junto à Administração, muito menos embelezadas as pedonais ou as principais vias, como acontecia em anos anteriores. O munícipe de Talatona Emanuel Vicente disse a OPAÍS que se vê uma enorme diferença entre os anos anteriores e o actual, uma diferença que ele considera abismal, pelo que entende que há vários factores por trás desta questão, que vão para além do financeiro.

“O meu trabalho leva-me constantemente às ruas da cidade de Luanda e isso é bom para dar uma vista de olhos sobre o que acontece na cidade capital, onde tenho notado que as pessoas, as empresas e não só, estão mais comedidas quanto ao embelezamento das ruas e de residências, ficando mesmo a ideia de que, hoje, valoriza-se menos a quadra festiva”, disse. Embora estejamos numa época em que o poder de compra diminuiu e que o factor finanças esteja a influenciar para que tenhamos um fraco espírito natalino, é fundamental que se crie pelo menos o básico. Vicente lamenta o facto de, a cada ano, o angolano estar a desapegar-se dos enfeites da quadra festiva, dos encontros familiares e outros momentos, substituindo com viagens e idas a festas organizadas por outras pessoas. “Arriscaria dizer que estamos diante de um desaparecimento gradual do hábito do embelezamento das ruas, casas e instituições na quadra festiva, o que, para além da questão financeira, tem também como pano de fundo o desapego ao espírito natalino”, reforçou.

Nem a árvore ecológica da Samba foi poupada

Nesta altura do ano, na Samba, a árvore de Natal ecológica, com 17 metros de altura, decorada com garrafas de plástico, servia de centro das atenções para muita gente. Por razões não explicadas, até ao dia da nossa reportagem (21 de Dezembro) não tinha sido montada, deixando assim o largo do conhecido Antigo Controlo sem a magia do Natal. Maria João, munícipe que todos os anos aproveitava para levar os filhos a contemplar a beleza daquela árvore, e que tem servido de lição para eles sobre o modo de tratamento do lixo, mostrouse triste com o facto de não ver a árvore naquele local. “Muitos de nós, aproveitávamos a ocasião para tirar fotografi as junto da árvore de Natal ecológica, mas, por razões desconhecidas, apenas fi cou na lembrança”, disse a nossa entrevistada.

A árvore de Natal ecológica nasceu em 2009 e já fazia parte do Natal de muitos luandenses, com o objectivo também de sensibilizar para a adopção de comportamentos ambientais aceitáveis. Ainda assim, alguns edifícios públicos e privados, independentemente da situação económica, decoram com objectos luminosos só para não deixar morrer o espírito da época. Na sede da Sonangol, por exemplo, na baixa da cidade, regista-se isso, bem como no edifício sede do BIC, no Talatona, entre outros sítios, dando alegria aos que gostam destas decorações. A nossa equipa de reportagem também constatou que há poucos vendedores ambulantes a comercializar produtos da época, como vestimentas de Pai Natal, jogos de luzes, chapéus, também resultante da Operação Resgate. Nos mercados informais e formais, o que mais se vende nesta época são brinquedos e artigos de decoração. Algumas bancadas estão cheias de “árvores de Natal” e decorações de neve artificiais.

Tímidos enfeites dão visual festivo à cidades

Ainda assim, alguns enfeites de natal prendem a atenção dos passageiros, principalmente as luzes multicolores colocadas em árvores e pedonais. Também notamos, embora de forma tímida, a iluminação em algumas vitrinas dos comerciantes, que ajudam a requintar a decoração, para além de estarem a oferecer promoções de alguns produtos. júlia monteiro, que vive na centralidade do Sequele e, todos os dias passa pelas ruas das centralidades nova vida e, ao longo da Avenida pedro van Dunem Loy e fidel de castro, bem como em sedes municipais como Talatona e viana, vê que algumas estão lindas, mas outras continuam às escuras.

A mesma pede apenas aos “jovens e velhos sem juízo” que não exagerarem no consumo de álcool, porque a confusão sempre acaba por estragar o ambiente de festa e muitos chegam a terminar com ferimentos graves ou morte por uso excessivo de bebida alcoólica. Segundo uma fonte a que o opAíS teve acesso, grande parte destes trabalhos decorativos eram realizados por empresas especializadas contratadas pelo governo provincial de Luanda (gpL), enquanto as residências e fachadas de edifícios eram da responsabilidade dos cidadãos e diversas empresas públicas e privadas. este ano não houve verbas para sustentar tal actividade.

esta falta de verbas levou a que alguns municípios não embelezassem as suas administrações e ruas principais. A Administração de Belas fez poucos actos decorativos, apenas na parte interior, com uma árvore de natal natural e espectacular. já na parte exterior daquela Administração, por exemplo, nada foi feito. por outro lado, a administração de viana e algumas das principais vias do município têm a iluminação feita como manda a época. em frente à Administração de viana está uma árvore natural devidamente decorada, que “prende o olhar” de muitos dos seus munícipes. Segundo alguns dos munícipes que conversaram connosco, o município está bonito, organizado e limpo, sendo que muitas ruas ficaram lindas devido à decoração que foi feita pela Administração.

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