Museu de Antropologia propõe ao público “Cabaça decorativa” como Peça do Mês

O Museu Nacional de Antropologia apresenta, ainda este mês, a “Cabaça decorativa”, no quadro do projecto de rotatividade denominado “Peça do Mês”, que tem vindo a desenvolver

A peça pertence ao grupo etnolinguístico Bacongo. Designada por “Nkalu a Tomeswa”, é uma cabaça ornamentada com motivos antropomórficos (características ou aspectos humanos, de animais, de deuses, elementos da natureza e constituintes da realidade em geral) e figuras geométricas realçadas com faca. Elas são usadas para diversos fins, tais como conservação e transporte de água, vinho, mel, óleo, pirão, peixe e muitos outros produtos.

Segundo o director do museu, Álvaro Jorge, a peça é um instrumento doméstico e simbólico, que nos remete a um universo amplo de práticas e tradições culturais. O responsável explicou que os assuntos predominantes das gravuras traduzem cenas de caracter folclórico, de natureza, como seres humanos, animais, plantas, astros, etc.. “Elas são frutos de uma legendária, popularmente chamada cabaceira e encontram-se muito divulgadas nas várias províncias do país. São cultivadas, às vezes reproduzindo- se espontaneamente. Assim, em muitos lugares, encontramos pessoas, homens e mulheres com grandes habilidades artísticas no trabalho artesanal de decoração de cabaças”, realçou.

Importância

Esta actividade artesanal, nos seus mais diversos aspectos artísticos, culturais e económicos, assume uma importância considerável. Entre as que se destacam, ela oferece elementos de apreciação valorativa, que colocam o seu autor na classe de exímio conhecedor da técnica de pirogravura. Álvaro Jorge avançou que além da beleza estética, a cabaça encerra mensagem relacionada com a vida quotidiana, não só pelo carácter dos elementos que compõem a sua estrutura decorativa (seres humanos e mundo animal), mas também pelo motivo dinâmico e saúde decorativa. “Nesta peça, observamos e vivemos a emoção estética, a criatividade e os sentimentos que o seu autor exterioriza. A esse respeito, cada homem é, em princípio, artífi ce, operador, artista e artesão conforme o seu aprendizado, vocação ou especialidade ao provimento das suas necessidades e as do grupo a que pertence”, enfatizou.

Beleza

O director do museu disse ainda que o lado belo da peça é sugerida pelos contrastes da cor, a alegria que transmite o domínio da técnica, o equilíbrio e a harmonia total dos seus elementos, que faz com que ela seja uma obra de arte, que responde com graciosidade à sua função como peça decorativa.

O projecto

O projecto começou em Agosto de 2016. Desde o seu arranque foram expostas mais de 24 peças, tendo começado com a “Pedra de Hiroshima”, “Lilweka”, “Luena”, “O Pensador” (Kuku Kalamba), “Ndemba”, “Kiela”, “Kikondi”, “Mulondo” e “Cihongo” (Txihongo), “Kijinga”, Heholo”, “Mintadi, Mufuka, “Mondo” e a “Mwana-Pwo”, “Kibandu”, “Etemo”, “Nsáse” e “Caixa de Rapé”. O mesmo atraiu ao museu mais de 27 mil e 875 visitas, desde estudantes a turistas. O seu objectivo é de divulgar as peças existentes no museu, bem como propagar na sociedade a sua importância como património cultural e nacional, função social, descrição, origem e cativar os cidadãos a visitarem o espaço.

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