Nelo Teixeira encerra círculo “Muro Vermelho” na Galeria ELA

A mostra retrata a destruição das casas da Chicala e a “gentrificação” de alguns bairros tipo musseque de Luanda, que foram muito importantes ao nível social

“muro Vermelho” a mais recente criação do artista plástico Nelo Teixeira encerra o círculo expositivo no ELA – Espaço Luanda Are em Luanda, segundo relatos de Dominick Tanner, produtor e comissário desta exposição. A mostra que estará patente ao público até Janeiro de 2019, retrata a destruição das casas da Chicala e a “gentrificação” de alguns bairros tipo musseque de Luanda, que foram muito importantes ao nível social. A exposição recupera o período em que havia um muro vermelho à volta destas habitações chamadas clandestinas, que, na verdade, albergavam pessoas e famílias havia mais de 20 anos.

Os habitantes eram “prisioneiros” no seu bairro e, para lhes ser permitido sair de casa tinham que bater na chapa. As obras foram produzidas a partir de recortes, rasgos, colagens e camadas de ideogramas, relatos visuais e fragmentos de memória deste importante bairro, que foram vivenciados pelo artista, e ficaram registados em acervos pessoais. “Muro Vermelho” é também um alerta para a emigração, que oprime a população de chegar até ao topo. Nesta colecção, Nelo Teixeira apresenta algo que a cidade de Luanda não preservou e que os mais jovens não têm conhecimento ou esqueceram: o Muro Vermelho de chapa cor de sangue que, cercando as habitações, escondia a destruição das asas e, simultaneamente, encarcerava os seus habitantes.

O artista

Nelo Teixeira nasceu na cidade de Mbanza Kongo, província do Zaire. Carpinteiro e artista auto-didacta, trabalha com material reciclado, devido à influência que teve do seu tio. Desde a década de 90, integra o grupo “Os Nacionalistas” e é membro da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), desde 1996. Reside no bairro Chicala, desde 1993, onde criou o atelier “Só Bumba”, que tem de

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