PR esperançado na melhoria do ambiente político na RDC

Presidente da República, joão Lourenço, disse, esta Sexta-feira, esperar que o ambiente político na República Democrática do congo (RDc) melhore consideravelmente, em vésperas de eleições

“Sabemos que existe alguma agitação e o nosso desejo é que a situação volte à normalidade e que os cidadãos possam exercer, no dia 30 deste mês, de forma sossegada e tranquila, o seu direito de voto”, argumentou. O Presidente fez esta apreciação no decorrer da entrevista colectiva realizada no Palácio Presidencial, negando-se a apresentar a sua opinião mais aprofundada sobre o processo eleitoral em curso naquele país, por considerar que o momento é “próprio de cada Estado”. Este é o segundo encontro do género desde que tomou posse, a 26 de Setembro de 2017, tendo o primeiro ocorrido a 8 de Janeiro, por ocasião dos 100 primeiros dias de governação.

Eleições adiadas para 30 de Dezembro

A Comissão Eleitoral da República Democrática do Congo decidiu na Quinta-feira adiar para o dia 30 de Dezembro as eleições gerais que estavam previstas para o próximo Domingo, informou a AFP. “Anunciamos que as votações serão realizadas no Domingo, dia 30 de Dezembro”, disse o presidente da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Corneille Nangaa, em conferência de imprensa em Kinshasa. Nangaa explicou que, após a queima de material eleitoral num incêndio na noite de 12 para 13 de Dezembro num armazém de Kinshasa, a falta de cédulas obriga ao adiamento das eleições. No incêndio, “2.676 máquinas de votação escaparam, 3.500 máquinas foram recuperadas, mas não as cédulas, que temos que encomendar na Coreia do Sul.

As máquinas não poderão ficar prontas antes de 25 de Dezembro”, justificou o responsável da Comissão Eleitoral. O pleito estava previsto inicialmente para Dezembro de 2016, quando terminava o segundo mandato do Presidente Joseph Kabila, mas a CENI anunciou então que não seria possível realizar a votação por problemas técnicos, e as eleições foram postergadas desde então. A CENI reuniu-se durante o dia todo com vários candidatos presidenciais e responsáveis de instituições para discutir a situação. Os candidatos reunidos com a CENI também alegaram outros problemas para o adiamento, como a “violência étnica” que existe em certas partes do país, e o surto de ébola no Nordeste que causou, até o momento, 326 mortes. Segundo a lei eleitoral, a votação só pode ser realizada num Domingo ou feriado, daí a decisão de adiar a votação em uma semana.

O calendário e os detalhes do processo eleitoral serão divulgados pela CENI mais adiante, segundo o seu presidente, que informou que a campanha eleitoral será encerrada nesta Sexta-feira, como estava previsto. A Oposição convocou protestos contra este novo adiamento e se mostrou insatisfeita com a decisão. O candidato da coligação Lamuka (“Desperta”, em lingala), Martín Fayulu, declarou que “depois de mais de dois anos de atrasos constitucionais, um adiamento é injustificável”, em comunicado conjunto com os opositores Jean- Pierre Bemba e Moise Fayulu, cujos partidos integram essa coligação. “A CENI e o Governo ilegítimo do senhor Kabila tiveram amplamente o tempo para preparar boas eleições críveis e pacíficas”, acrescenta o comunicado, publicado antes do anúncio oficial da Comissão Eleitoral. Calcula-se que mais de 40 milhões de pessoas votariam neste Domingo nas eleições, que podem significar a primeira transferência pacífica de poder da história do maior país da África Subsahariana, de acordo com a EFE.

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