A UNITA não acredita na eficácia do combate à corrupção

o secretário provincial da UNITA na Huíla, Augusto Samuel, mostrou-se céptico quanto à eficácia do combate contra à corrupção e a impunidade

Em entrevista aO PAÍS, no Lubango, capital da província da Huíla, na véspera do repatriamento coercivo de capitais, cujo tempo de graça terminou nesta Quarta-feira,26, disse que o combate à corrupção é uma “ideia falhada”.

Augusto Samuel sustentou a sua tese dizendo que o Governo pretende apenas “lavar a sua imagem”, mas na prática não o fará, ou seja, não vai levar a bom porto este processo pelo facto de há 40 anos que governa o país nunca se ter preocupado em combater a corrupção.

“Depois de quatro décadas de um Estado que institucionalizou a corrupção através dos detentores do poder, não acredito que este combate venha a ter êxitos”, argumentou.

O dirigente da UNITA, apesar de reconhecer a iniciativa do novo Governo liderado por João Lourenço, diz “ver para crer”, e a detenção do ex-ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás e do antigo Presidente do Conselho do Fundo Soberano,José Filomeno dos Santos é apenas uma ponta do “icebergue”.

Para ele, todos os envolvidos em crimes de corrupção, como primeira medida, deveriam estar detidos, enquanto os processos corressem os seus trâmites legais. “Augusto da Silva Tomás e José Filomeno dos Santos não são os únicos que cometeram crimes de corrupção ou peculato durante a governação passada. Entre os altos responsáveis do Governo, existem muitos outros, onde ainda estão”, questionou.

A amnistia

Na sua visão, o facto de supostamente estarem indiciados pela Procuradoria Geral da República(PGR) alguns responsáveis de departamentos ministeriais, entre os quais membros do partido que sustenta o Governo, o processo poderá, provavelmente, terminar em amnistia para se evitar dissabores internos, admite o político.

Salienta-se que a cruzada contra a corrupção e contra a impunidade, levada a cabo pelo novo Executivo, já deteve, além de Augusto Tomás e José Filomeno dos Santos, altos responsáveis de cargos públicos quase em toda as províncias.

Os primeiros implicados foram os do “Caso Combustíveis da Huíla) que culminou com a prisão durante quatro anos do director provincial do Serviço de Investigação Criminal(SIC), Alberto Suana, seu adjunto, Abel Tchombinda, e outros.

Seguiu-se uma vaga de detenções de membros de Governo da Província do Huambo, da Delegação do Ministério do Interior de Benguela, entre outras ocorridas nas restantes províncias.

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