Bonga aborda com leitores o seu percurso artístico no Jango da União dos Escritores Angolanos

O mote da conversa surge a propósito do livro, “Bonga-Marcas na Oralidade Angolana”, de autoria de José Filomeno Pascoal, já apresentado em Lisboa (Portugal), Luanda, e Malanje

O encontro está marcado para este Sábado, 29, a partir das 10 horas, no Jango da União dos Escritores Angolanos (UEA), onde deverá ser publicada a obra, devendo contar com a presença do autor e do músico Barceló de Carvalho “Bonga”, para um “dedo” de conversa com os leitores. De acordo com Filomeno Pascoal, o evento é de carácter público e aberto a qualquer interessado quer pela obra quer pela musicalidade do artista, cuja carreira despoletou na diáspora embora por cá tivesse começado.

Hoje, com mais de quarenta anos de carreira, mais de trinta álbuns de originais publicado, Bonga, como é conhecido nas lides musicais, regressa às origens para falar na primeira pessoa sobre o seu percurso artístico e todas as peripécias porque passou longe do país de origem.

Desse modo, a expectativa é bastante alta e espera-se por uma grande franja da sociedade, sobre tudo de jovens, segundo Filomeno Pascoal, para que conheçam a história de um homem de cultura, mas que começou a despertar antes no desporto enquanto velocista e aí ter merecido várias distinções.

O livro

A obra está dividida em cinco capítulos e distribuída em noventa e cinco páginas. O primeiro capítulo aborda os aspectos relativos à literatura angolana de tradição oral e aos seus géneros, de acordo com os trabalhos do estudioso angolano António Fonseca.

O segundo aborda os principais géneros musicais angolanos com destaque para o surgimento e desenvolvimento do Semba em Angola, pelo facto de o músico em referência (Bonga) cantar maioritariamente nesse estilo.

Já o terceiro capítulo destacase a vida e a obra de “Bonga”, bem como o estudo das temáticas das letras das suas músicas, isto com base na análise de seis composições musicais do seu rico e vasto repertório, com enquadramento dos mesmos nos géneros da literatura angolana de tradição oral.

Por sua vez, no quarto capítulo Filomeno Pascoal apresenta a vertente didáctico-pedagógica. Ou seja, são apresentados dois planos de aulas como sugestão para a aprendizagem, por parte dos alunos, de alguns aspectos relacionados com a literatura angolana de tradição oral.

No quinto e último capítulo apresenta-se como o resumo de todo o trabalho, em que são apresentadas as conclusões referentes à obra, as referências bibliográficas e os apêndices que contribuíram para a eficácia da mesma.
Comentários Sobre a referida obra alguns comentários são referenciados, como é o caso do professor universitário Carlos Cabombo, que escreve: “É uma obra de leitura obrigatória a todos que pretendam aperfeiçoar os seus conhecimentos sobre a Literatura de Tradição Oral Angolana”. “Bonga é um homem comprometido com a sua arte e a cultura Mundial, Africana e Angola, de forma particular.

O kota é uma biblioteca viva, consciente do seu papel enquanto transmissor de conhecimentos aos mais jovens”, aponta a cantora e apresentadora Patrícia Faria. “Cresci na diáspora habituado a ouvir estas sonoridades e esta obra é essencial para os mais jovens conhecerem e entenderem a importância das palavras e recados que Bonga quer transmitir em todo o seu vasto reportório musical e sócio-cultural”, Nuno Cardoso – Administrador da BIAL em Angola.

Por seu turno, o crítico literário Jomo Fortunato a quem coube prefaciar a obra, “Bonga é um caso de inequívoca notabilidade histórica e de contínua preservação de memória musical angolana”, o crítico diz ainda que Bonga é um artista convicto dos ideais, a sua música incorpora no íntimo, a estigma e a afirmação de uma filosofia cultural identitária, cuja absorção esteve assente na efervescência artística dos musseques de Luanda.

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