Empresa Socorro acusada de desviar dinheiro da Segurança Social

um grupo de trabalhadores da empresa de protecção civil Socorro, veio ao jornal OPAÍS queixar-se de descontos feitos para a contribuição na Segurança Social, que há dez anos não são depositados nessa conta. A direcção refuta as acusações

Apesar de ser um problema antigo, e de várias vezes já terem tentado mediar junto da direcção da empresa, os trabalhadores da Socorro, que prestam serviço de protecção a várias instituições públicas e privadas, viram que a única solução para a resolução do seu problema é a denuncia.

Dado o facto de que muitas vezes são intimidados e não têm onde se queixar, pois acusam a direcção da empresa de ser prepotente, preferiram falar sob o anonimato. Dizem estar na empresa há muito tempo, uns com dez, sete, oito e seis anos de trabalho, e são descontados 1.140 Kz para a contribuição na Segurança Social, valor que não é depositado na conta do INSS.
Todos os funcionários têm conhecimento desta situação, mas poucos têm a coragem de reclamar ou denunciar.

“O problema não é só por não serem depositados os valores no INSS, não estamos inscritos na referida instituição. Desviam o dinheiro para a nossa aposentadoria, que mensalmente nos é descontado”, disseram. A empresa tem mais de 1000 trabalhadores, tem clientes não apenas em Luanda, que garantem a segurança das agências do Banco Sol, da Fábrica de Postiço, da Fábrica da Cuca, entre outras instituições.

Nem mesmo os seguranças do banco têm subsídio de risco, apesar de todos os dias estarem sujeito à levar uma bala na cabeça. “Temos até colegas que estão há vinte anos na empresa e não foram inscritos no INSS, mas continuam a ser descontados. O indivíduo morre e não tem nenhum apoio. Aqueles que têm padrinho na cozinha, conseguem um apoio de 20 mil Kz apenas, que nem chega para comprar caixão”, acrescentam.

‘Por ano só saímos 15 dias de férias’

A par do assunto do INSS, outra irregularidade que os trabalhadores têm vindo a registar é dos dias úteis de férias.

Os trabalhadores dizem que apenas lhes é dado a gozar 15 dias de férias/ano, quando sabem que devem gozar 30 dias. E como se não bastasse, não recebem subsídio de férias. Nesta época do ano, de festas, não se ouve falar do 13º salário, nem do subsídio de Natal, muito menos do cabaz. “Passamos o Natal de lábios secos”, lamentam. O pouco salário que ganham (40 mil Kz) e às vezes atrasa. “Nós protegemos o banco e ganhamos a mesma coisas que os que protegem as residências ou outra empresa.

Dificilmente assaltam uma fábrica de postiço, mas há sempre assalto a bancos. Ganhamos mal e corremos muito risco”, reforçam. Já tentaram reclamar junto da entidade empregadora, mas esta, na voz do director geral, Fernando Gomes, disse que “o salário da Socorro só vai subir quando eu morrer”.

“O director bateu no peito, em plena reunião, dizendo que quem se preocupa é aquele que está pobre. Ele é que já está rico e construiu um palácio no Benfica”, enfatizaram os trabalhadores. Para finalizar, reclamam contra as condições de trabalho, pois não têm tido renovação dos uniformes, fazem de “tripas coração” para tratar da saúde e a alimentação não é assim tão boa.

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