Crise financeira não impede procura de ingressos a festas de “Réveillons”

apesar da crise financeira que o país atravessa, ainda assim nada impede, segundo alguns organizadores que muita gente procure ingressos a bailes de fim de ano, embora alguns convivas prefiram as festas familiares

Com preços que variam entre os 10 mil Kwanzas e mais de 100 mil por pessoa, ainda assim continua a procura de bilhetes de ingresso às festas de Réveillon, que acontecem um pouco por todo o país, embora alguns prefiram festejar ao lado dos familiares.

Alguns organizadores destas festas contactados por este jornal, dizem que os valores não têm estado a alterar tanto, mesmo na fase mais difícil em que despoletou a crise financeira e mundial, em finais de 2014, por tratar-se de uma festa que já faz parte da vida cultural de muitas famílias.

Florinda Miranda, uma das organizadoras da “Farra de Réveillon”, fez saber à nossa reportagem, que, por tratar-se de um ambiente festivo que remete os convidados a épocas passadas, isto é, aos anos 80 e inícios de 2000, prefiram aí estar com o objectivo de reviver várias memórias.

Quanto aos preços que estão a praticar, a nossa interlocutora reiterou que, tal como a festa réveillon igualmente realiza as “Festas da Saudade”, cujo público é selectivo e faz questão de se organize a festa, mantendo sempre a qualidade que se espera.

“Já tenho convidados e não clientes, fiéis que já conhecem o conceito da nossa festa. Pela qualidade que lhes é proporcionada, com hora de início e sem hora para terminar, não dispensam o nosso ambiente, porque, acima de tudo, é um ambiente semelhante às festas de muitas famílias”, realçou.

Por sua vez, Amarildo Cristóvão “Carbura”, nessas lides há mais de 12 anos, disse que há pessoas que decidem muito tarde se vão ou não à festa de Réveillon e, por esse facto, tardam a decidir, optando às vezes pelo fim e, por essa altura, muitas vezes já não há ingressos disponíveis.

O organizador disse ainda, que o melhor é ter-se os convites com antecipação, apreciarem-se os primeiros momentos do dia com a vista de fogo de artifícios e de seguida continuar a conviver com amigos e familiares.

Apesar disso, a festa que está a organizar continua a ser procurada, sobretudo por jovens,
que não dispensam festas e ainda mais num espaço não muito distante do local em que residem, por haver um maior índice de segurança. “Organizamos a nossa festa no Sequele e por cá, mesmo os que vêm de bairros mais próximos temos as condições seguras, com uma óptima estrada e iluminada, que aconselha a ponderação, ainda mais àqueles que eventualmente forem conduzir, se eventualmente vierem a consumir álcool, o que não aconselhamos”, advertiu.

Clientes divididos Embora existam muitos bailes pelas várias cidades do país, alguns interlocutores contactados pela nossa reportagem, mostram-se divididos entre adquirir um ingresso para uma festa ou optar por ficar perto de familiares e conviver por mais tempo.

Lima de Sousa contactado na rede social Facebook, questionado sobre o facto respondeunos que habitualmente prefere estar junto à família dispensando uma festa de réveillon por gastar-se muito por uma festa de pouco tempo. “Normalmente as festas começam depois da meia-noite. A mim não interessa sair para uma festa dessas porque não compensa.

Ficamos entre a uma até pouco antes das seis da manhã e estamos de regresso, embora algumas se prolonguem mais, ainda assim, prefiro estar em casa ou com familiares, até porque o dia 2 é um dia normal de trabalho”, justificou. Com o mesmo propósito, o internauta Miqueias André, salientou que há factores que o levam a não ir a uma festa de Réveillon. Uma delas é o facto de gastar-se muito numa festa de pouco tempo e depois julga-se que o mês de Janeiro é longo.

“Não é. Apenas racionalizamos mal”, apontou. Por seu turno, Yuma Rocha disse que tem ido às festas de fim de ano, mas nos últimos anos não o faz precisamente porque o custo de vida está mais encarecido e não vale a pena estar a gastar por uma noite quando pode ter um ambiente mais modesto e sem muitos custos.

Assim manifestaram alguns interlocutores contactados pela nossa reportagem, quando falta apenas um dia para o desfecho do ano 2018, em que se auguram continuação de festas felizes e um ano novo cheio de prosperidade.

Administrações fiscalizam festas de réveillons

A administração do Distrito do Rangel, do município de Luanda, e da do Cazenga concederam vistos para a realização de festas de réveillons, em várias áreas destas localidades.

A administração do Distrito do Rangel autorizou a realização de mais de cinco festas, em bairros como como o Marçal, Terra Nova e no bairro do Rangel. O representante da Cultura no distrito do Rangel, Lucas Sumba, referiu que antes das festas serem autorizadas, a equipa de fiscalização desloca-se até aos locais das actividades a fim de constatar se possuem condições técnicas e humanas para o feito.

“Quando se trata de um pedido numa área nova, vamos constatar, mas se for num espaço que por nós é conhecido, não precisamos de lá ir, porque temos noção das condições que oferecem”, explicou. Quanto à poluição sonora, o representante da Cultura do Rangel realçou que, no dia da realização das festas, o grupo operativo, que integra agentes policiais e funcionários da secção cultural, efectuam a fiscalização, de modos a sensibilizar que o som da música não deve ser superior a 55 decibéis.

Festas de família

Sobre a realização de actividades familiares deu a conhecer que não carecem de autorização por parte das administrações, mas lembrou que devem cumprir a lei que penaliza a poluição sonora, de modo as festas não serem encerradas por agentes da administração.

“Nos anos anteriores deu-se o caso de termos mesmo que encerrar várias actividades, levar os aparelhos, porque depois de várias chamadas de atenção não cumpriram com o ordenado. Assim agiremos este ano se ocorrerem casos do género”, advertiu.

Quanto às festas não autorizadas, o responsável da Cultura no Rangel avançou que serão penalizadas pelos agentes de fiscalização. Por sua vez, a responsável da área de Repartição de Hotelaria e Turismo, Ana Cardoso, avançou que foram autorizadas mais de três festas, em várias áreas do município.

Ana Cardoso deu a conhecer que a nível do município existe uma equipa que trata das questões relacionadas com à poluição sonora durante o ano, assim como o policiamento. Por esta razão, aconselhou os produtores de eventos a não realizarem festas sem autorização da administração, de maneira a não se correr o risco de virem a ser interrompidas.

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