Kabila já votou nas eleições em que prometeu entregar o poder

A muito aguardada ida às urnas para escolher o sucessor do presidente Joseph Kabila arrancou este domingo sob chuva torrencial em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo.
As longas filas de espera também se agravaram em algumas mesas de voto devido a avarias num novo sistema de voto eletrónico.

 

O chefe de Estado ainda em funções já exerceu o dever cívico, mas disse recear uma baixa participação devido à forte intempérie.
“Tenho esperança que o céu limpe e os eleitores apareçam em grande número”, expressou, perante os jornalistas, Kabila, que lidera o país desde que o pai foi assassinado em 2001 e prometeu afastar-se após este primeiro sufrágio democrático desde a independência perante a Bélgica em 1960.
Na véspera destas eleições, os 21 candidatos candidatos à presidência da RD Congo reuniram-se com a comissão eleitoral.
Entre os favoritos está o antigo ministro do interior Emmanuel Ramazani Shadary, o preferido de Kabila para a sucessão.
A oposição ao presidente acusa o governo de estará a tentar influenciar o eleitorado a favor de Shadary, receando ser este um esquema para manter o atual chefe de Estado na sombra do poder antes de poder voltar a recandidatar-se em 2023.
A reforçar as suspeita está também o encerramento das mesas de voto em três locais tido como fortes bastiões da oposiç¨ao. As autoridades justificaram a não abertura das urnas em Beni, Butembo e Yumbi com um alegado risco para a saúde devido ao surto de ébola ainda em curso nas respetivas regiões.
De acordo com uma das últimas sondagens, publicada sexta-feira pelo Grupo de Pesquisa do Congo, da Universidade de Nova Iorque, o antigo gestor da Exxon mobile e deputado da oposição Martin Fayulu liderava as preferências com uns estimados 47% do eleitorado do seu lado.
Estas eleições, previstas inicialmente para 2016 e finalmente em curso após diversos adiamentos, ficam também marcadas por um novo sistema de voto eletrónico, visto pela oposição como vulnerável a ocorrência de fraude.
Há registo de algumas destas novas máquinas terem logo avariado em mesas de voto de Kinshasa, Goma e Bukavu, tendo a a votação sido mesmo suspensa, referiram algumas testemunhas citadas pela Reuters.
As mesas de voto têm previsto fechar pelas 17 horas locais (menos uma hora em Lisboa), embora as urnas possam continuar a receber os votos dos eleitores que já estejam em fila de espera.