Os angolanos e as superstições da “virada”

muitas são as pessoas que acreditam em superstições para a passagem de ano. Mas alguns angolanos, em entrevista a OPAíS, disseram não acreditar nestas crenças. Outros afirmam que estão a ser aculturados

As actividades a serem realizadas nos últimos minutos do “ano velho” e nos primeiros minutos do “ano novo” são encarados com enorme simbolismo para muitas pessoas, a começar pela cor do vestuário e a alimentação.

A escolha de roupas de cor branca tem atraído a atenção de muitos cidadãos que as consideram como símbolo de paz, pureza e limpeza. Há ainda quem a chama de “cor da luz” alegando reflectir todas as cores do espectro.

A jovem Júlia Monteiro disse que opta por essa cor tanto por gosto como por acreditar que poderá entrar em paz. “Apesar de optar apenas pela roupa branca não acredito muito em superstições do ano novo. Dizem também que temos de entrar com o pé direito para que o ano novo seja mais calmo, mas nunca pensei em fazer tais coisas”, frisou.

Ela acredita que a sociedade angolana está a ser influenciada por crenças de outras culturas, principalmente brasileira.

A tradição de lançar flores ao mar para ter muita sorte e encontrar um “grande amor” é outra que a nossa interlocutora considera que não passa de superstição. “Se Deus me quiser dar um grande amor fará, não tenho que atirar flores e muitos ir ao mar só por causa da superstição do ano novo. Não acredito nestas coias”, declarou.

Comer lentilhas para receber a graça do dinheiro e da fortuna também é outra prática que tem tido muita aderência entre os angolanos. Já Ana Maria disse não acreditar em nenhuma delas. Para si, basta as pessoas clamarem ao “Altíssimo”, através da oração, que o ano novo os corra bem e com saúde. “O final de ano é como todos os anos, se bem que é uma transição de um ano para o outro. Não tenho preferência na cor de roupa. Tenho Deus que supre todas as minhas necessidades, por isso a cor do vestuário é irrelevante para mim”, assegurou.

“Não acredito nisso por ser cristão e também por ser não supersticioso” Por sua vez, António Massango explicou que embora tenha conhecimento de variados rituais e/ ou hábitos que povos de diferentes lugares do mundo seguem “religiosamente” na passagem de ano, acreditando mesmo que pode ter impacto positivo em suas vidas, pensa diferente.

“Acho engraçado alguns dos rituais mais famosos e mais seguidos, como o “branquinho branquinho”, frisou. Enumerou ainda o de “entrar com o pé direito”, “o de usar lingerie vermelha para atrair o amor”, o “das 12 uvas e 12 desejos” ou ainda o dos “sete saltos das ondas” como alguns dos que considera mais engraçados.

Considera que todas estão ligadas ao ocultismo ou assuntos não cristãos. “Acho-os rituais impotentes e, como cristão, tenho um único ritual: o de atravessar a fronteira de um ano para outro orando, usualmente entre as 23:30 às 00:30”, disse.

As tradições mais conhecidas

Comer doze passas

Esta é talvez a tradição mais enraizada na nossa cultura nas celebrações de Ano Novo, e existem várias explicações para a sua origem. Uma delas relaciona-se com o facto de seguirmos o calendário solar (os nossos meses sucedem-se consoante a posição do Sol visto da Terra), mas também usarmos o calendário lunar (por isso assinalamos nos calendários as fases da Lua).

Ora o calendário lunar tem menos 12 dias que o calendário solar.
brindar com champanhe As civilizações Antigas consideravam o álcool como fonte de vitalidade e saúde (por essa razão o vinho era considerado o néctar dos deuses).

Uma vez que, com um copo ou dois, as pessoas se tornam geralmente mais soltas, alegres, descontraídas, a associação ao espírito de festa foi natural e óbvia. Diz-se que não se deve brindar com água, porque era o álcool que simbolizava a vida e a renovação de forças.

Foguetes, fogo-de-artifício

O fogo foi usado pelo Homem primitivo como forma de proteção, afastando animais ferozes, o frio, a escuridão e, acreditava-se, também os maus espíritos. Assim, o barulho dos foguetes e as luzes dos fogos-de-artifício são usados para afastar tudo aquilo que possa ser negativo.

Bater com tachos e panelas

Conta-se que, ainda antes do Império Romano, quando havia um eclipse as pessoas faziam barulho para afastar o perigo de o Sol não voltar. Na passagem de Ano, o barulho que fazemos serve para afugentar o medo de tudo o que nos assusta e trazer-nos a confiança que, no dia seguinte, continuaremos de boa saúde.

Subir para uma cadeira e saltar com o pé direito

Subimos para uma cadeira como forma simbólica de estarmos mais perto do Céu neste momento de transição. Saltamos com o pé direito para “entrar com o pé direito” no novo ano.

Vestir roupa nova e cuecas azuis

Usar roupa nova deixa-nos bem-dispostos, com uma sensação de renovação. Aquilo que pensamos e sentimos determina as nossas acções e aquilo que atraímos para a nossa vida, e ao começar um novo ciclo atraímos melhores energias se tivermos connosco algo novo, e um espírito positivo.

Atribui-se ao azul o poder de atrair a sorte. Há quem prefira roupa interior vermelha, para atrair o amor, ou amarela, para afastar problemas financeiros. Estas cores, alegres, representam a alegria de viver.

Ter dinheiro na mão

Pelo sim, pelo não, começar o ano com algumas notas na mão traz-nos a confiança de que o dinheiro atrai dinheiro, e por isso esta é também uma superstição cumprida por muitas pessoas. Tocar em dinheiro no início de uma nova fase ajuda a atrair mais dinheiro na nossa vida, pois pela Lei da Atração atraímos aquilo em que pensamos.

Deitar fora coisas velhas

Sempre que iniciamos uma fase importante é auspicioso libertarmo-nos do peso que carregamos a mais: as coisas que estão estragadas, partidas, gastas pelo uso não trazem energia positiva para a nossa vida. Assim, o acto de atirar coisas velhas pela janela é na verdade um ritual de libertação.

Mergulhos no mar

Existe a tradição em algumas zonas costeiras, principalmente mais a Norte no País, de brindar ao Ano Novo com um mergulho no mar.

Esta tradição assemelha-se a um rito de passagem, pois implica coragem e resistência uma vez que no dia 1 de Janeiro o mar português é bastante gelado. Ter a força de o fazer traz coragem, garra e energia para enfrentar todos os desafios do ano que chega.

Fonte: internet.