OPSA defende um psicólogo para mil alunos no ensino primário

invocando alguns padrões europeus que disponibilizam um especialista da referida área para um grupo discente composto por 600 a mil indivíduos, o bastonário da Ordem dos Psicólogos de Angola (OPsA) explicou que a cifra depende do número de académicos existentes

Carlinho Zassala aconselha o Ministério da Educação a efectivar um projecto que contemple a necessidade do trabalho dos psicólogos nas escolas, ao ponto de dizer que cada grupo de mil alunos do ensino primário precisa de um desses académicos, a fim de se evitarem situações que concorrem para o mau aproveitamento escolar, dificuldades na docência, bem como uma série de conflitos laborais.

“Uma boa parte dos nossos alunos de hoje vêm de famílias destruturadas, desencontradas, ou mesmo separadas, uma situação que dá lugar à carência de afecto nas crianças.

A falta de alimentação condigna é outro factor que afecta os miúdos, condicionandolhes o desenvolvimento eficaz do exercício intelectual”, referiu Carlinho Zassala, tendo acrescentado que todos esses e outros factores contribuem para o fraco desempenho discente.

O bastonário da Ordem dos Psicólogos de Angola compreende que, de forma aparente, seja normal um cidadão pensar que o ideal seria um psicólogo para cada turma, no ensino primário. Por isso, detalhou dizendo que o psicólogo, na escola, trabalha com grupos de alunos, de encarregados, professores e até mesmo com a comunidade mais próxima da escola e as que constituem o habitat das crianças.

Para assegurar que o clamor dirigido ao Ministério da Educação não foi pensado no ano em curso, revelou que o projecto data do legado do ex-ministro Pinda Simão, com quem a ordem negociou tal necessidade, ao ponto de ter merecido autorização teórica das instâncias superiores do antigo Governo, no Decreto Presidencial 16/11.

“Este documento autorizava que se criassem gabinetes ou secções de apoio psicológico nos estabelecimentos escolares, onde, além de psicólogos, podiam integrar assistentes sociais, pedagogos e sociólogos”, detalhou o bastonário da OPsA, apelando aos agentes do ensino para encararem a sua missão como mais abrangente do que a relação professor-alunos.

Para ele, o reconhecimento da psicologia como um vector preponderante no bom funcionamento das estruturas de uma nação, sobretudo nos sectores da educação e saúde, constitui uma mais-valia para alcançar bons resultados.

Ilegalidade não se impõe

Carlinho Zassala aproveitou a ocasião desta entrevista a OPAÍS para tranquilizar os cidadãos que reagiram mal em função das recentes
preocupações manifestadas pela Ordem dos Psicólogos de Angola (OPsA), na ocasião do 3º Fórum Nacional de Psicologia, alusivo ao 8º aniversário da proclamação da referida ordem, que fazia referência à solicitação, a curto prazo, da legalização dessa instituição pelo Conselho de Ministros (MINSA).

“Esse problema não se impõe e, em nenhum momento condiciona o bom funcionamento e a credibilidade da organização, até porque no dia 23 de Março de 2015 o projecto de deliberação da OPsA decorreu com sucesso, faltando, na altura, o reconhecimento do Ministério da Saúde, por recomendação superior”, informou o bastonário.

Acrescentou dizendo que, quando o MINSA se disponibilizou a cumprir a sua parte no processo avizinhavam-se as eleições gerais no país, actividade para a qual se dirigiram todas as atenções da política interna.

“Depois disso, a 24 de Julho de 2018, ainda se retomou o processo sob recomendação de ter o visto ou parecer do Ministério da Justiça e Direitos Humanos, para formalizar o cunho jurídico”, esclareceu o também docente universitário, tendo recomendado aos estudantes e especialistas da área de psicologia para não se abalarem com isso.

Finalmente, encorajou os mesmos a envidar esforços para se potenciarem nas suas especialidades, de modo a terem capacidade para vencer os desafios que a sociedade lhes coloca, principalmente nas escolas, cadeias e nos hospitais

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