Referência de Bolsonaro sobre ‘livrar’ o país do socialismo repercute no mundo

O discurso do presidente Jair Bolsonaro foi repercutido nos principais veículos de comunicação europeus nesta Quarta-feira, 2. Praticamente todas as publicações enfatizaram o discurso do novo líder da maior economia da América Latina, em que cita a libertação do Brasil do socialismo

Federal deputy Jair Bolsonaro of the Party for Socialism and Liberation (PSL), a pre-candidate for Brazil's presidential election, attends a debate at the Industry Confederation event in Brasilia, Brazil July 4, 2018. REUTERS/Adriano Machado

O jornal britânico The Guardian foi um dos que mencionaram o trecho como destaque. As “suas palavras encantaram uma multidão de mais de 100 mil pessoas – muitas das quais viajaram à capital para o evento, convencidas de que o populista de extrema direita pode resgatar o país conturbado da corrupção virulenta, do aumento do crime e da estagnação económica”, mencionou o diário.

No jornal britânico de economia Financial Times, a posse de Jair Bolsonaro não recebeu qualquer menção na edição impressa desta Quartafeira nem na versão na Internet. Ainda no Reino Unido, a rede de televisão BBC repetiu algumas vezes, na noite de ontem, uma reportagem sobre a posse de Bolsonaro.

No seu site da Internet, hoje (ontem), o assunto já estava fora da página principal do veículo. No material de ontem, a BBC destacou que o presidente usou o seu discurso de posse para prometer a construção de uma “sociedade sem discriminação ou divisão”.

O enfoque sobre o fim do socialismo no país durante o discurso do novo presidente foi dado pelo francês Le Monde. Saudando “neste dia em que as pessoas começam a se libertar do socialismo, da inversão de valores, do gigantismo do Estado e do politicamente correcto”, o líder da extrema-direita brasileira prometeu livrar o país das “ideologias nocivas” que “destroem as nossas famílias”, como as da “teoria do género” que abomina, ou “marxismo”, que ele acredita detectar nos livros didáticos.

Garantindo às pessoas “boas” o direito de “legítima defesa”, ele novamente mencionou o seu desejo de flexibilizar o mais rápido possível a lei de 2003, que proíbe o porte de armas, mostrando ao mesmo tempo a sua benevolência para com os actores da defesa do agronegócio em conflito com o movimento dos sem-terra e dos povos indígenas.

O também francês Le Figaro mantém o tema sem muito destaque na sua página na Internet. “Jair Bolsonaro assumiu o cargo na Terça-feira, abrindo uma era de ruptura com sérias incertezas em relação à mudança para a extrema- direita da maior potência da América Latina.

” Já o espanhol El País enfatizou a exibição da aliança de Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aproveitaram a cerimónia para mostrar, via Twitter, a sua aliança, que é uma viragem ‘copérnica’ da política externa brasileira”, ressaltou o periódico.

O veículo também informou que, no seu discurso de posse, o presidente evitou a sua habitual crítica ao Partido dos Trabalhadores (PT) para convocar os deputados a se juntarem “à missão de reconstruir o país, libertando-o do crime, da corrupção, da submissão ideológica e da irresponsabilidade económica”.

O português Diário de Notícias, que acompanhou a transmissão do cargo em tempo real, por sua vez, dá destaque à posse e salientou quatro frases do pronunciamento de Bolsonaro consideradas como “a chave” do discurso de posse:

1) “Este é o dia em que o povo começou a se libertar do socialismo, da invasão de valores, do politicamente correcto, do gigantismo estatal;

2) “Temos o desafio de enfrentar a ideologia que descriminaliza bandidos, pune polícias e destrói famílias, vamos restabelecer a ordem no país”;

3) “Esta é a nossa bandeira, que jamais será vermelha, só será vermelha se for do nosso sangue derramado para a manter verde e amarela”, e

4) “Traremos a marca da confiança de que o governo não vai gastar mais do que arrecada do livre mercado e da eficiência, da garantia de que as regras, os contratos e as propriedades serão respeitados.

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