Somália ordena que alto funcionário da ONU saia

A Somália expulsou a principal autoridade das Nações Unidas do país, numa decisão que provavelmente prejudicaria as relações com os poderes estrangeiros que apoiam as tentativas do governo de restaurar a estabilidade após décadas de turbulência

O governo acusou Nicholas Haysom, Representante Especial do Secretário- Geral da ONU, de interferir nos assuntos internos. Haysom levantou questões numa carta datada de 30 de Dezembro sobre o envolvimento de forças de segurança somalis apoiadas pela ONU na prisão de um ex-militante do grupo islâmico al Shabaab, que foi impedido de concorrer numa eleição regional recente.

Haysom “não é necessário e não pode trabalhar neste país”, disse o Ministério das Relações Exteriores. “Ele violou abertamente a conduta apropriada do escritório da ONU na Somália”, disse o comunicado na noite de Terça-feira, o que efectivamente torna personna non grata ao sulafricano.

Não houve comentários imediatos da missão da ONU que também apoia uma força de manutenção da paz da União Africana na luta contra a Al Shabaab.

A carta de Haysom ao ministro da Segurança Interna expressou a sua preocupação com a forma como o governo lidou com a prisão do ex-líder do Shabaab, Mukhtar Robow, e subsequente agitação no mês passado.

Pelo menos 15 civis foram mortos e cerca de 300 pessoas foram detidas, a maioria delas crianças, quando os protestos eclodiram após a prisão de Robow na cidade de Baidoa, no sul do país, segundo a carta da ONU.

O governo disse que Robow foi preso sob suspeita de ter trazido militantes e armas de volta a Baidoa, a capital da região sudoeste onde tentou disputar a presidência na eleição do mês passado. A sua prisão provocou confrontos entre milicianos leais a Robow e forças somalis.

Forças de segurança etíopes, que fazem parte de uma força de paz da União Africana, também estiveram envolvidas. O Al Shabaab procurou por mais de uma década derrubar o governo central e implementar a sua versão estrita da lei islâmica.

Foi expulso da capital em 2011, mas mantém uma posição em algumas regiões, incluindo o Sudoeste. Robow renunciou à violência e reconheceu a autoridade federal em 2017. Na carta, Haysom pediu ao ministro para explicar a base legal para a prisão de Robow. Ele também perguntou que medidas foram tomadas para investigar as mortes durante as manifestações em Baidoa após a prisão.

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