11 ravinas ameaçam desalojar seis mil pessoas no Cuito Cuanavale

Até ao momento, mais de 300 pessoas já foram desalojadas por causa das ravinas. O coordenador da Juventude Ecológica de Angola (JEA) no Cuando Cubango, Baptista Camelo, garantiu ontem, a OPAÍS, que a erosão pode ser estancada com a plantação massiva de caniço e bambu

Seis mil pessoas de diferentes idades correm o risco de perderem as suas residências, em consequência do avanço de 11 ravinas existentes nos arredores da sede do município do Cuito Canavale, província do Cuando Cubango, revelou o vice-governador para o sector técnico e infra-estruturas, Bento Francisco Xavier.

O governante declarou, na Sexta-feira, que a situação pode tornar-se mais grave caso as chuvas continuem a cair com regularidade e de forma intensa, como se regista por agora, noticiou a Angop. Algumas ravinas têm mais de 10 metros de profundidade e o processo de erosão no município é muito flexível, daí a necessidade de estancá-lo o mais cedo possível, de acordo com as autoridades locais.

Na esperança de encontrar uma solução para a situação, evitando o pior, os ambientalistas da JEA nessa província estão a realizar um estudo e a executar algumas medidas paliativas. Baptista Camelo, líder local da Juventude Ecológica de Angola, apontou como uma das soluções para este caso a plantação de bambu e caniço nas zonas afectadas.

“Não está fácil. Tentamos implementar o projecto de plantação de caniço e bambu, no entanto, acabamos por interromper por falta de água, uma vez que nessas zonas há escassez”, frisou. Explicou que a primeira fase desse projecto foi realizada na época de Cacimbo, para que quando começasse a época chuvosa as plantações já estivessem enraizadas, todavia, faltaram condições técnicas para a sua irrigação.

“As cisternas deviam abastecer de água todos os dias as plantas, o que não tem sido possível”. Justificou que tal acontece porque tanto o Governo provincial, como as administrações, não dispõem de meios necessários para atender a situação.

A empresa que está a trabalhar no sentido de travá-las enfrenta dificuldades para aceder a algumas áreas onde estão as ravinas, devido a construções anárquicas.

Baptista Camelo explicou que o projecto de contenção das ravinas por via da plantação de caniço e bambu remonta ao tempo em que a província era governada pelo general Eusébio de Brito Teixeira, tendo sido suspenso com a sua transferência para a província do Cuanza-Sul, também como governador.

Falta de verbas inviabiliza o projecto

Garantiu que o projecto-piloto de criação de um viveiro de caniço nas margens do rio Cuebe, em Menongue, implementado na época, surtiu o efeito esperando.

No entanto, só não foi avante por falta de financiamento. Quanto ao bambu, segundo conta, não foi necessário criar um viveiro, pelo facto de existir em abundância na província, a dificuldade assenta, neste preciso momento, em transportá-la para o Cuito Cuanavale. Todavia, os ambientalistas locais, segundo conta, estão a realizar um estudo para aferir as reais causas desse fenómeno que está a tirar o sono às autoridades, por ocorrerem e se multiplicarem em diversas partes do país.

“Os nossos mais velhos dizem que esse fenómeno é nosso. Por isso, suspeitamos que tenha sido causado também pela movimentação das máquinas de construção civil, como cilindros”, opinou.

Enquanto as autoridades não encontram uma solução definitiva, os ambientalistas da JEA estão a realizar campanhas de sensibilização juntos das populações que residem em zonas de risco, sobre as medidas de precaução. “É uma preocupação não só para os ambientalistas e a população, como para o próprio Estado”, concluiu.

Mais de 300 pessoas já foram desalojadas nos bairros Caioco, Ndumba, Tchissanha, BaixoLonga e o Lumeta. O administrador municipal do Cuito Cuanavale, Daniel Dumba, afirmou, durante a visita do vicegovernador, que as famílias desalojadas tem beneficiado de chapas de zinco com vista a facilitar o seu realojamento.

Descreveu que o processo de erosão no município é muito flexível, dai a necessidade de estancálo o mais cedo possível, de acordo com a Angop.

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