Munícipes da Quibala clamam por melhoria na rede escolar sanitária

O maior sonho dos munícipes da Quibala é ver a ampliação e a melhoria do desempenho da redes escolar e sanitária, bem como a rede de energia eléctrica e água, manifestou o administrador municipal, isaías luciano

Numa entrevista exclusiva a OPAÍS, o administrador municipal, Isaías Luciano, disse que os munícipes da Quibalas gostariam de ver concretizado o sonho da água canalizada e da energia eléctrica em todas as comunidades.

Trata-se de um município de 10 mil 280 quilómetros quadrados, constituído por quatro comunas, nomeadamente a comunasede, Ndala-Cachibo, Cariango e Lonhe, fazendo fronteira, a Norte, com os municípios do Libolo e Quiçama (Luanda), a Sul com o da Cela e, a Este com os municípios do Mussende e Andulo (Bié), além de, a Oeste, partilhar limites com os municípios do Ebo e da Quilenda. Para este ano, segundo projecções do Instituto Nacional de Estatística, a população é de 159 mil 292 habitantes, dos quais 80 mil e 536 mulheres e 78 mil 756 homens.

A população deste município dedica-se maioritariamente à actividade agrícola e criação de animais de pequeno porte para o auto-sustento.

A região da Quibala é atravessada por um dos mais importantes eixos rodoviários do país, a Estrada Nacional nº 120, que liga a capital do país, Luanda, ao Planalto Central e Sul do país, constituindo uma excelente via de escoamento da produção da zona.

A região é rica em recursos minerais, apontando-se os que servem de matéria-prima para a construção civil (areia, pedra, burgau) e outros preciosos como o diamante, cujos estudos dão conta da sua existência nas zonas limítrofes com o município do Mussende.

O administrador municipal da Quibala, Isaías Luciano, disse que as grandes preocupações da população consistem na ampliação e melhoria do desempenho das redes escolar e sanitária.

“Devido a limitações de natureza financeira, a Administração tem enfrentado sérias dificuldades para a manutenção da rede sanitária periférica, mas no âmbito do Programa de Desenvolvimento Local e de Combate à Pobreza, temos conseguido atender o mínimo para que a rede se mantenha funcional”, disse.

Além daquelas necessidades da população de Quibala, Isaías Luciano apontou também a escassez da energia eléctrica e de água potável, mas existe um projecto de reabilitação e ampliação do sistema de distribuição de água.

Segundo o administrador, é um projecto inserido no Programa de Investimentos Públicos de Âmbito Central e, apesar de estar bem avançado, encontra-se paralisado há acerca de dois anos.

“Temos conhecimento de que a proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2019 contempla esta despesa e esperamos que o projecto venha a ser concluído para que a cidade e bairros dos arredores estejam bem servidos, porque neste momento o município tem pouca água, disse.

Quibala precisa, no mínimo, de um gerador de 2500 Kva Quanto à energia eléctrica, Isaías Luciano explicou que têm um grupo de geradores funcional, dos quais dois estão avariados, um deles já em Luanda, a cuidado da PRODEL para reparação. Isaías Luciano disse estarem a usar neste momento um gerador de 400 Kva, quando, na verdade, necessitariam, no mínimo, de uma capacidade de até 2500 Kva.

Nesta senda, apenas priorizam o centro da cidade, a iluminação pública e algumas casas. “Para os bairros nos arredores fornecemos energia eléctrica de forma alternada. Mas já é visível o esforço do Executivo na electrificaçao do país. Temos recebido visitas de técnicos da Rede Nacional de Transportação (RNT) e de técnicos da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) para pôr a energia”, fez saber.

Postos de Saúde encerrados por falta de técnicos

O município da Quibala dispõe de um total de oito médicos. Segundo conta o administrador Isaías Luciano, o grande problema da municipalidade é a falta de técnicos médios de diagnóstico. “Temos postos de Saúde encer
rados por falta de enfermeiros.

O hospital tem necessidade de mais enfermeiros para acudir às necessidades da população. Há postos de saúde construídos em algumas comunidades. Possuímos um centro de saúde na comuna de Dala Kaxibo e há uma infra-estrura que supera alguns hospitais, mas não temos pessoal para operacionalizar”, conta.

De acordo com o responsável, há um esforço do Executivo neste sector e aguardam por mais oportunidades, porque a população clama por mudanças. Quanto aos médicos, declarou que nunca tiveram casos de médicos ou enfermeiros a fugir do município.

Quibala necessita de mais de 250 professores

No sector da Educação, Isaías Luciano disse necessitarem de mais professores, pois ainda há muitas crianças fora do sistema de ensino. “Houve concurso e teremos mais 58 professores, quando, na verdade, as nossas reais necessidades superam o número de 250 professores.

Mas, por limitações financeiras que já conhecemos, fomos contemplados com este número”, sendo que o município tem cerca de 400 professores.

Oportunidades de emprego para jovens

O responsável disse ainda que têm um Instituto de Formação Profissional e há vários cursos de oportunidades de empregos para os jovens. “Apelamos aos jovens a organizarem-se em brigadas, porque a Administração tem licenciado muitas obras”, disse.

Regista-se actualmente no município da Quibala uma intensa actividade no sector empresarial privado no ramo agro-pecuário, facto a que se deve o despontar da agro-indústria nesta região. Neste particular e em jeito de amostra, é de realçar que a fazenda Nova Agro-Lider emprega mais de 700 pessoas, na sua maioria jovens. Sem citar outras fazendas.

Quanto à criminalidade, nesta altura o município regista uma certa tranquilidade, declarou Isaías Luciano, sendo que já registaram momentos difíceis. “Já tivemos, há dois meses, aqui na cidade, um elevado índice de criminalidade violenta. Tivemos que nos reunir com a Polícia, o SIC, as comissões de moradores, e autoridades tradicionais no sentido de apelar à cooperação”, disse. Por essa razão, realizaram uma operação que culminou com a detenção de marginais que tiravam o sossego das pessoas, voltando a tranquilidade.

Um professor perdeu a vida

Nesta senda da criminalidade, um professor perdeu a vida. Segundo conta o administrador, o docente tinha viajado para Luanda e, ne regresso, os marginais controlaram-no a partir da paragem da Macon, acompanharam-no desferiram-lhe golpes com faca e foi evacuado ao hospital geral no Sumbe, onde veio a falecer. Isaías Luciano garantiu que o caso está esclarecido e os autores do crime já foram capturados com os bens que roubaram ao malogrado.

Outra coisa que inquieta o administrador da Quibala é o facto de não ter no seu município o Serviço de Registo e Identificação Civil da População, por causa do número de habitantes que não possuem bilhete de identidade.

Mais de 200 pessoas já procuraram legalizar os seus trabalhos

No âmbito da Operação Resgate, em curso no país, a Administração Municipal de Quibala já registou mais de 200 requerimentos de vendedores ambulantes e de mercado para legalizarem a sua actividade.

O administrador municipal disse que as comunidades de Quibala sabem que não devem acolher estrangeiros em situação migratória ilegal. São vários os problemas que afligem os munícipes da cidade da Quibala.

Em conversa com OPAÍS, alguns munícipes descreveram as dificuldades por que passam pelo desemprego, a falta de água e de energia eléctrica, bem como a criminalidade.

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