As autarquias contam

João Lourenço fez mexidas no seu Governo e logo surgiram os habituais comentários, normais e bons para a saúde da democracia, alguns. Mas os comentários centram-se sobretudo na avaliação das pessoas nomeadas e ditando sentenças sobre o seu desempenho nos novos cargos. Luanda tem concentrado o foco das análises.

Na verdade, fala-se mais de Luther Rescova e das suas qualificações, ou não, para governar a mais povoada e mais problemática província do país. Toda a gente socorrese de supostos fracassos de governadores anteriores, que têm em média dois anos no cargo. Alguns deles terminaram aí as suas carreiras políticas. Assim, perspectiva-se que o novo governador, jovem, vá ver apagarse o seu brilho nos próximos meses, até ser exonerado por incompetência.

Ele ainda mal começou a governar, não tem uma semana no cargo, é muito prematuro fazer-se avaliações sobre o que ainda nem existe. Ademais, os analistas esquecemse que acabamos de entrar num ano de pré-campanha eleitoral para as autarquias, que o desempenho do MPLA nestas eleições depende em muito do desempenho dos governadores provinciais, João Lourenço não está desatento ao ponto de mexer nos governos provinciais sem ter este facto em mente.

Ele sabe por que colocou estas pessoas em cada uma das províncias, até porque os governadores provinciais são também primeiros secretários provinciais do MPLA.

Assim sendo, no caso de Luanda, há quem diga que Rescova está a ser enterrado, que o Presidente o tem numa antecâmara de saída por poucos meses, pois entende que as autarquias em Luanda estão perdidas e Rescova será afundado com as culpas… E se o PR vê nele o homem certo para uma favorável colheita autárquica?

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