Candidata a bastonária promete combater usurpação de actividades médicas

a médica elisa gaspar, por sinal a única a representar o género feminino (até ao momento) na lista de candidatos ao lugar de bastonário da Ordem dos Médicos de Angola, apresenta no seu programa eleitoral o combate à usurpação de actividades médicas por indivíduos não qualificados

Com o slogan eleitoral “Unidos vamos pôr ordem na Ordem”, Elisa Pedro Gaspar apresentou as razões da sua candidatura a bastonária da Ordem dos Médicos de Angola, cuja campanha começa, hoje, e tem o término no dia 07 de Fevereiro.

As eleições estão marcadas para o dia 14 de Fevereiro e a tomada de posse do novo bastonário a 2 de Março. Elisa Gaspar é médica neonatalogista da Maternidade Lucrécia Paim e no quarto ponto do seu programa diz que quer efectivar o Acto Médico nas actividades médicas, a todos os níveis, impedindo assim a usurpação de actividades eminentemente médicas por indivíduos não treinados do ponto de vista profissional como naturopatas, terapeutas tradicionais, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, dentistas entre outros.

A médica vai trabalhar com a população, os órgãos do Estado (Inspecção Geral da Saúde, PGR, entre outros) na denúncia de técnicas de terapêutica aplicadas a população por profissionais não qualificados, de formação duvidosa, ligados a medicina alternativa, sem comprovação científica, utilizadas com o fim único de extorquir os parcos recursos financeiros da população, que, na ânsia de ver os seus problemas de saúde resolvidos, acorre à medicina da prosperidade e enganosa.

Na sua opinião, os 11 anos que a Ordem está sem eleições provocou um certo distanciamento dos profissionais em relação ao seu órgão de classe, influenciando negativamente na relação médico-Ordem, provocando comportamentos como o não pagamento de quotas, tendo em conta a letargia, do ponto de vista funcional, da direcção cessante.

Necessitando de uma Ordem com elementos de visões diversificadas, como defende Elisa Gaspar, assumindo um papel activo na definição da Política de Saúde, propõe-se a servir a classe trabalhando na formação contínua e em cursos de superação relacionados com a especificidade de cada especialidade; bem como garantir junto das estruturas centrais do Estado um salário condigno a todos os médicos.

Efectivação da municipalização dos serviços em vista

Garantir o exercício da Medicina num ambiente seguro para o médico e os utentes, com reursos materiais, equipamentos médicos e meios medicamentosos condignos, constam também nos planos de Elisa Gaspar, caso seja eleita, bem como garantir a efectivação da municipalização dos serviços médicos na periferia, desde que criadas as condições condignas de habitabilidade, locomoção de e para o serviço e o respectivo subsídio para os médicos em todo o território Nacional.

Um total de 19 pontos de reflexão da sua candidatura constam no programa da médica Elisa Gaspar, tendo outros por apresentar no plano de acção a ser disponibilizado brevemente, que diz estar aberta a opiniões na sua página de candidatura, no Facebook.

Para além de Elisa Gaspar, apresentaram, até ao momento, a intenção de se candidatar ao cargo máximo da Ordem dos Médicos, Miguel Bettencourt Mateus, Mário Fresta e José Luís Pascoal.

Os outros candidatos

Miguel Bettencourt Mateus é médico desde 1989 e especialista em neurologia e neurofisiologia clínica. O médico já exerceu o cargo de decano da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto e, actualmente, é o chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Américo Boavida, presidente do Colégio de Especialidade de Neurologia e do Conselho Nacional de Ensino e Pós-graduação da Ordem dos Médicos de Angola.

Mário Fresta, que é também professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, começou a exercer medicina na província do Huambo. Nesta província, além de ter sido professor e integrado a equipa instaladora do curso de Medicina, de 1982 a 1988, trabalhou no Hospital Central, no Centro de Medicina Desportiva e no Serviço de Assistência Médica Militar. Em Luanda, Mário Fresta trabalhou em várias unidades sanitárias públicas e privadas e exerce, actualmente, o cargo de director do Centro de Estudos Avançados em Educação e Formação Médica (CEDUMED)da Universidade Agostinho Neto.

José Luís Pascoal é médico desde 1986 e tem uma pós-graduação em organização e gestão de cuidados primários de saúde e uma outra em gestão de topo em saúde. Já exerceu o cargo de director da Angomédica e da Cruz Vermelha de Angola, além de ter sido coordenador nacional da Campanha de Recuperação de Ética e Deontologia entre os Profissionais da Saúde, do projecto “Saúde Chegou” e do projecto de Reestruturação do Sistema de Saúde da província de Luanda.

error: Content is protected !!