Agente do SIC acusado de executar três jovens no Kilamba Kiaxi aguarda julgamento

O julgamento de vasco Arnaldo de Castro quintas, o agente que está a ser acusado de ter executado, em plena luz do dia, três jovens no município do Kilamba Kiaxi, que iniciaria hoje, foi adiado “sine die”

O Palácio da Justiça do Kilamba Kiaxi, na sua 12ª Secção, Sala dos Crimes Comuns, tinha agendado para hoje, 08 de Janeiro, o julgamento de Vasco Arnaldo de Castro Quintas, que à data dos factos chefiou a Secção Operativa de Investigação Criminal da 32ª esquadra.

Por razões não explicadas, o julgamento foi adiado e não tem data para o começo. Vasco é acusado de três crimes de homicídio e um de tentativa de homicídio, por ter supostamente feito parte de um grupo de seis elementos identificados como Grupo Operativo da 32ª Esquadra, que, do interior duma viatura de marca Toyota Hiace, vulgo Quadradinho, sem matrícula, no dia 3 de Junho de 2014, disparou contra três jovens no bairro 28 de Agosto, no Kilamba Kiaxi.

Rezam os autos que às 12 horas daquele dia, o infeliz que em vida se chamou Manuel Tiago Samuel Contreiras, na altura estudante universitário e acólito da Igreja Católica, ao sair do bairro para a paragem de táxi, onde pretendia apanhar um veículo com percurso Luanda/Malange, deparou-se com um amigo, Cosmo Pascoal Malungo Quicassa “Smith”, também vítima nos autos, que predispôs-se a dar-lhe uma boleia.

A bordo de uma viatura de marca Hyundai Accent, e fazendo- se acompanhar por um outro amigo identificado por Garcia Fonseca Chifue, os três cidadãos deparam-se com a viatura Hiace que lhes obstruiu a passagem, tendo Cosmo Pascoal Malungo Quicassa sido obrigado a guinar o volante em direcção a um pneu enterrado na berma da via, com que colidiu frontalmente.

É neste momento que o réu Vasco e outros cinco ocupantes da viatura descem, todos vestidos à paisana, munidos de armas de fogo e num gesto único efectuaram vários disparos contra a viatura Hyundai Accent, atingindo mortalmente Cosmo Quicassa e ferindo, no pé, Manuel Tiago. Manuel, diante daquela situação, procurou sair da viatura, ainda a coxear, colocou as mãos ao ar e suplicou pela vida, mas nem por isso foi poupado, pois foi alvejado com um projéctil no abdómen e outro na cabeça.

O terceiro ocupante da viatura em que estavam as vítimas, Garcia Fonseca Chifue, conseguiu escapar aos tiroteio. Garcia terá a oportunidade de explicar em tribunal como foi possível sair com vida daquela “chuva” de tiros, uma vez que aparece no processo como declarante e a última pessoa que viu em vida as duas vítimas nos autos. Grupo de marginais altamente perigosos?

Quando foi ouvido, na altura de produção de provas, o réu Vasco de Castro Quintas disse que, enquanto chefe de Secção Operativa de Investigação Criminal, andava no encalço da vítima Cosmo Pascoal Malungo Quicassa, alegando que este fazia parte de um grupo de marginais altamente perigosos.

Embora tal facto não justifique a acção praticada pelo réu e seus colegas, os efectivos do Serviço de Investigação Criminal descuraram encetar diligências para o esclarecimento real dos factos, limitando-se simplesmente a abrir um expediente onde juntaram dois mandados de captura emitidos contra dois elementos apenas conhecidos por Don Don (também conhecido por Dany) e Smith t.c.p Gogó.

Morto por presenciar o acto

Se por um lado, o terceiro ocupante da viatura das vítimas conseguiu sair com vida a meio de tantos tiros feitos pelos seis agentes do SIC, por outro, o cidadão Damião Zua Neto, que minutos antes se encontrava a vender múcua defronte ao portão do quintal da sua casa e atraído pelo embate da viatura contra o pneu aproximou-se do local para ver o que se passava, não foi poupado.

Damião Zua Neto foi morto a tiro, aos olhos de sua irmã Marcelina Zua Neto (que também foi constituída declarante no processo), que correu a chamar a sua mãe, Helena Joaquim Zua, a qual ao aproximar-se do portão viu o seu filho caído no chão.

Estas duas senhoras, na altura, conseguiram fixar o rosto do agente do SIC, neste caso o réu Vasco. A família desta vítima aponta Vasco como o autor dos disparos mortais, sem qualquer dúvida.

Por isso, aguardam pelo início do julgamento que neste momento se encontra adiado “sine die”, e por justiça. Tiago Samuel, irmão de Manuel Samuel (vítima), é efectivo da Polícia Nacional e à data dos factos estava colocado na esquadra da Fubu como chefe de departamento, e quando chegou ao local e perguntou ao chefe de operação das linhas operativas de investigação criminal, Laurindo Quingila, sobre quem eram os autores dos disparos que vitimaram mortalmente o seu familiar e recebeu uma resposta que não esperava.

“Não liga, aqueles jovens eram bazaltos”, foi a resposta que Tiago Samuel terá recebido do seu chefe, quando chegou ao local e apercebeu-se que uma das vítimas era o seu irmão, que terá sido visto e morto por ser marginal.

O jornal OPAÍS vai continuar a acompanhar este caso que tem arrolado no seu processo um total de 10 declarantes e um réu, apesar de estar lavrado nos autos que os disparos foram feitos por seis efectivos do SIC.

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