Nós e as cidades

As imagens das águas residuais à solta no condomínio Vida Pacífi ca, no Zango, que correm pelas redes sociais, dizem muito da condição em que vivemos em Angola, sobretudo nas cidades. Se calhar devemos arranjar um novo nome para os nossos aglomerados habitacionais. Cidades, bem, é forçar demasiado.

A verdade é que se começa a perceber que muita gente, entre habitantes e dirigentes, não tem a menor noção do que é uma cidade, dos cuidados que uma cidade exige e do trabalho que dá. Há dias ouvi o novo administrador do Lubango dizer que a cidade precisa de trezentos e tal contentores e que apenas detém cerca de cem. Fiquei assustado.

Não por haver disponíveis apenas um terço dos contentores necessários, mas com o facto de alguém ter feito contas e achar que trezentos contentores seriam suficientes para o Lubango. Duvido que o administrador tenha a menor noção de como funciona uma cidade. Mas tenho uma certeza: se não mudar, com este administrador o Lubango vai continuar imundo.

Boa parte dos problemas das nossas cidades resulta do facto de que quem as gere não faz a menor ideia do que é uma cidade. Ir de férias à Europa e fazer compras não chega. É necessário recuperar gente das antigas câmaras municipais, os que ainda estão vivos.

Contaram-me que há tempos, no Lubango, alguém mandou pendurar nos postes de iluminação uns pequenos receptáculos de lixo, chame-selhes contentores ou baldes, uma excelente ideia para que as pessoas depositassem o “pequeno” lixo, em vez de o atirarem para o chão.

Mas, então, a brilhante ideia teve um epílogo melhor ainda: as bocas das caixas de lixo foram viradas para a estrada. Se calhar alguém descobriu que é aí onde circulam as pessoas, e os carros nos passeios.

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