Trump quer suprimir a Huawei

Por: dAvId CHAN, PLATAFORMA MACAu*

Segundo informação noticiada pela Reuters, Trump está a considerar emitir uma ordem executiva de estado de emergência nacional que impeça empresas americanas de usar equipamento de telecomunicações fabricado pelas empresas chinesas Huawei e ZTE. A Reuters cita fontes americanas governamentais e do sector de telecomunicações, que apontam esta como a mais recente medida do Governo americano para manter os dois gigantes chineses das telecomunicações fora do seu mercado.

Segundo as mesmas, este plano, elaborado ao longo dos últimos 8 meses e com possível início em Janeiro, exige também que o Departamento do Comércio dos Estados Unidos proíba a aquisição de produtos de empresas de telecomunicações estrangeiras que representem um risco para a segurança nacional.

Embora não seja provável que a ordem executiva nomeie diretamente as empresas Huawei e ZTE, oficiais do Departamento do Comércio irão interpretá-la como uma autorização para restringir a entrada de equipamentos destas duas empresas. Este ataque sobre a Huawei e a ZTE não constitui nada de novo, surgindo depois de o país ter imposto uma coima e alterações à gerência da ZTE, monitorizada agora pelos EUA, e de ter proibido a compra de produtos da Huawei a nível nacional, exigindo que os seus aliados façam o mesmo.

Uma empresa privada de tecnologia como a Huawei pouco pode fazer contra um ataque deste tipo por parte do Governo americano. Sendo assim, Meng Wanzhou, diretora financeira da empresa, continua em detenção domiciliária no Canadá, com pedido de extradição pendente para os EUA, algo impossível sem o uso da força do Estado.

Porém, Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, afirmou o seguinte: “No caso de falta de provas, alguns países fazem um uso abusivo do princípio de segurança nacional, politizando trocas e cooperações científicas e tecnológicas através de alegações infundadas e criando restrições às actividades comerciais de empresas chinesas. Medidas como estas representam uma rejeição do progresso, justiça e abertura.”

As palavras de Hua Chunying, juntamente com a recente pressão chinesa sobre o Canadá, são um claro apoio à empresa chinesa Huawei. No final de 2018, o presidente Xi Jinping falou ainda ao telefone com Donald Trump durante três horas e, embora as notícias que se seguiram tenham focado apenas as relações comerciais sino-americanas, ambos os lados afirmaram que iriam tentar chegar a um acordo.

Apesar de durante esta conversa não ter sido mencionado o incidente de Meng Wanzhou, Trump disse que estaria disposto a intervir se um acordo fosse elaborado. Resta apenas saber se o mesmo irá manter a palavra. Entre os aliados americanos, a Austrália e a Nova Zelândia seguiram a vontade americana de deixar de usar produtos da Huawei, e os restantes, como o Japão, França, Reino Unido e Canadá, ainda não confirmaram as respetivas posições.

O Ministério das Finanças francês chegou até a manifestar recentemente abertura ao investimento da Huawei no país, e fontes afirmam que a Austrália está também disposta a deixar que a empresa participe em testes de tecnologia 5G.

A Huawei parece enfrentar um bloqueio a nível nacional por Donald Trump, mas a empresa pode continuar a contar com o apoio do Estado chinês e dos seus clientes e, desde que mantenha um esforço contínuo, irá com certeza conseguir ultrapassar este obstáculo.

Uma hegemonia pode temporariamente distorcer a ordem estabelecida, todavia, o mundo inteiro está a assistir a todos estes acontecimentos e a justiça acabará por prevalecer. Como disse outrora uma importante figura da China: “Quanto mais próximos estivermos do centro do palco mundial, mais fortes serão as tempestades que teremos de enfrentar, e é uma honra presenciar tal era.”

*A Plataforma Macau é parceira de OPAÍS na rede Plataforma Media

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