Kwanza, um percurso de 42 anos com muitas quedas

A moeda Nacional circula no país há 42 anos. Durante a sua existência, o Kwanza teve períodos de estabilidade e de instabilidade, com altos níveis de desvalorização que levou mesmo à sua troca

Tem o nome do maior rio do país, que nasce no Bié e desagua na barra do Kwanza, a Sul de Luanda. Ao contrário do rio que é o mais caudaloso e extenso de Angola, a moeda não tem a força de que se esperava, perdendo sempre para outras. Ao longo do seu percurso histórico de 42 anos, o Kwanza sofreu desvalorizações que motivaram a troca da moeda. Em 1977, quando o Escudo Português deixou de circular na economia nacional entraram em circulação notas de Mil, Quinhentos, Cem, e Cinquenta e 20 Kwanzas, este no formato físico e em moeda, e 10 Kwanzas, em moeda metálica, sem descurar o Lwei, com moedas de 50.

Em função da crise económica da altura, surgiu o Saneamento Económico Financeiros (SEF), ocorrido em 1987. José Cerqueira foi quem deu rosto ao Programa de Saneamento Financeiro. Por essa razão, a moeda nacional chegou mesmo a ter notas de até um milhão de Kwanzas, emitidas em 1995, num período em que o país conheceu um dos mais altos níveis de inflação. Para se ter uma ideia, Kz 1.000.000, 50.000, 10.000, eram algumas notas mais altas. Em 1999 entrava em circulação o Kwanza Reajustado, cuja intenção era reduzir os zeros na moeda nacional. No entanto, anos depois o dinheiro angolano voltou a ser simplesmente Kwanza. Em 2013, o Banco Nacional de Angola introduziu novas notas, desenhadas por Horácio da Mesquita e com um sistema de segurança moderno.

O dinheiro físico e em moeda metálica que circula actualmente vai de 5 Kwanzas a 5 mil Kwanzas, a nota de maior valor. No entanto, o equilíbrio que se pretende para a moeda nacional tarda a chegar. Por exemplo, para comprar uma moeda de um Euro são necessários 310 Kwanzas, e para se comprar uma nota de um dólar são precisos 355 Kwanzas, numa fase que o país ainda está refém das importações, facto que encarece a produção nacional cuja indústria ainda ressente da falta de matéria-prima e de máquinas mais avançadas.

O economista Chenandi da Conceição Lende começa por dizer que, “devido ao fraco desempenho da economia nacional, o Kwanza é ainda hoje uma moeda pouco referenciada nos mercados internacionais, nomeadamente na região da SADC, tendo já passado por várias etapas até aos dias de hoje”, refere. O economista que presta serviços de contabilidade acrescenta que, nos dias de hoje, e muito por conta da alta inflação que vive a nossa economia, o Kwanza perde o seu valor comparativamente ao Euro, Dólar Americano e ao Rand Sul Africano, moedas de referência para nós”, explica, augurando que a economia nacional se estabilize para tornar o Kwanza mais forte e que sirva de referência ao nível da SADC.

Um pouco de história

Com a Lei n.º69/76, que criou o Banco Nacional de Angola, a então República Popular de Angola ficou dotada da instituição que beneficia do exclusivo da emissão monetária; Considerando que já se encontravam satisfeitas as condições de ordem técnica para o lançamento de uma nova moeda; Nestes termos ao abrigo da alínea a) do artigo 38.º, da Lei Constitucional, o Conselho da Revolução aprovou a Lei da Moeda Nacional. A 11 de Novembro de 1976, em cumprimento do disposto nos artigos 8.º e 30.º da Lei Constitucional, é criada a unidade monetária nacional designada Kwanza.

Início

8 de Janeiro de 1977 25 de Setembro de 1990 1 de Julho de 1995 1 de Dezembro de 199

Fim

24 de Setembro de 1990 30 de Junho de 1995 30 de Novembro de 1999 presente

Moeda

Kwanza (AOK) Novo kwanza (AON) Kwanza reajustado (AOR) Kwanza (AOA)

subdivisão

100 Lweis nenhuma nenhuma 100 cêntimos

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