Obrigados a fazer nada

Era bom sabermos, agora que está prestes a iniciar mais uma ano lectivo, o que fizeram os jovens estudantes ao longo das férias. Muito provavelmente ficaremos desiludidos. E alguns evocarão os seus tempos para dizer que os estudantes de agora desperdiçam a sua juventude. Mas eu falei com alguns jovens que me disseram estarem fartos das férias, por nada haver para fazer. Por aqui, cedo se aprende a nada fazer. Os jovens poderiam ter arranjado empregos temporários, mas isso é uma miragem, a actividade económica está mais do que parada. Os jovens poderiam ter ocupado o tempo em acções de importância social, como a solidariedade, mas também aqui falta uma coisa simples como um passe de transportes públicos para sair de casa. Aliás, faltam transportes públicos. Sair de casa está cada vez mais caro. Os jovens poderiam ter-se ocupado em campos de férias (os mais finos de cá diriam campos de Verão), mas isto também não existe, não há espaços para acampamentos, não há estruturas de apoio, o Instituto da Juventude não sabe o que isso significa, as escolas não organizam e as empresas que deveriam patrocinar, as administrações municipais e os governos provinciais estão-se marimbando, dito assim para não dizer impropérios. Então, está claro e transparente, temos milhões de jovens a não fazer nada, passe o pleonasmo, literalmente, é uma obrigação nacional, a não ser que apareça alguém que pague alguns copos, porque para às bibliotecas também não vão. Nada de bom vemos no que nos augura o futuro.

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