Parlamento britânico votará acordo do Brexit em 15 de Janeiro

Os deputados britânicos vão realizar em 15 de Janeiro a histórica votação do acordo Brexit negociado com a União Europeia - informou um porta-voz da primeira-ministra Theresa May nesta Terça-feira (8)

“A primeira-ministra disse ao Execut ivo nesta manhã que, se a sua moção for aprovada amanhã, ela encerrará o debate sobre o acordo Brexit na Terça- feira, 15 de Janeiro, dia em que a votação ocorrerá”, disse o porta- voz à imprensa.

Inicialmente, a Câmara dos Comuns votaria o texto, resultado de 17 meses de difíceis negociações com Bruxelas em 11 de Dezembro. No entanto, confrontada com a evidência de que o texto estava fadado a um fracasso retumbante, May cancelou a sessão no último momento e disse que iria pedir novas garantias dos seus parceiros europeus para acalmar as preocupações dos seus legisladores. Quatro semanas depois, o Parlamento deve retomar na Quarta-feira as sessões de debate – que, a princípio, serão cinco – até a votação da próxima Terça-feira. O acordo tem a oposição de deputados euro-cépticos e dos pró-europeus. Como May não teria conseguido nenhuma nova concessão da UE, ele parece destinado a ser rejeitado pela Câmara. “A primeira-ministra disse que continua a pedir garantias à UE”, garantiu o porta-voz.

A chefe de governo conservadora tenta, há semanas, convencer os legisladores a aprovarem o texto. Segundo a primeira-ministra, com a proximidade da data estabelecida, em 29 de Março, a única alternativa seria um Brexit sem acordo. Isso teria consequências económicas e sociais caóticas para o país. No entanto, os deputados de esquerda e de direita pró-UE defendem a organização de um segundo referendo sobre a saída do bloco, enquanto o Partido Trabalhista da oposição espera que a rejeição do acordo precipite a convocação de eleições legislativas antecipadas.

Nesse contexto, vários jornais britânicos afirmaram nesta Terça que oficiais britânicos seniores estariam a conversar com autoridades europeias sobre a possibilidade de adiar a partida para além de 29 de Março, conforme previsto no Artigo 50 do Tratado da União Europeia. Preocupações de segurança Nesta Terça, mais de 50 deputados britânicos escreveram para a chefia da Scotland Yard, preocupados com a sua segurança, após o registo de incidentes violentos perto do Parlamento. “Estamos a escrever para expressar a nossa preocupação com a deterioração da situação de segurança e ordem pública do lado de fora e ao redor do Parlamento”, diz a carta assinada por deputados de todo o espectro político e dirigida a Cressida Dick, directora da Polícia Metropolitana de Londres.

Eles apontam para os indivíduos “ligados à extrema-direita” que “estão cada vez mais envolvidos em actos de intimidação, potencialmente criminosos, contra deputados, jornalistas e militantes”. A última das vítimas foi a deputada do Partido Conservador, Anna Soubry, favorável à realização de um segundo referendo, que foi descrito como “nazista” e “fascista” por manifestantes pró-Brexit. “Nós vamos lidar firmemente com actos de assédio e insultos contra qualquer pessoa, se eles constituírem infracções”, reagiu a polícia num comunicado divulgado nesta Terça-feira.

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