Akwa Mana fala em quadro social desolador na região Leste

Este movimento considera as províncias do Moxico e das Lundas Norte e Sul como “terras esquecidas” e pretende endereçar, ainda esta semana, ao Presidente da República, um manifesto com os principais problemas que a região enfrenta. A Lunda-Sul, por exemplo, recebeu o orçamento mais baixo para 2019

O Movimento Cívico do Leste de Angola (Akwa Mana) considera que as províncias situadas nesta região apresentam um quadro social desolador por causa da carência de estruturas de educação, saúde e vias de comunicação. Em entrevista a este jornal, Guilherme Martins, um dos coordenadores do movimento, disse que o Leste continua a ser a área com mais desemprego no país, o que, segundo ele, contrasta com a contribuição que o Moxico e as Lundas Norte e Sul dão ao Orçamento Geral do Estado, particularmente com a extracção do diamante.

“Para além do Catoca, dentro de dias entra em funcionamento o maior kimberlito do mundo, que é o Luachi, mas nas nossas províncias temos apenas buracos para se extrair o minério porque as direcções e os serviços dessas empresas se encontram em Luanda”, referiu. No que diz respeito a unidades sanitárias, particularmente na Lunda-Sul, o activista diz que as mesmas tardam a chegar pelo facto de a maioria serem do tempo colonial e com pouca capacidade, acrescentando que os medicamentos estão no mesmo processo. Aliás, importa referir que a província da Lunda-Sul apresenta o orçamento mais baixo para o exercício económico 2019, que é de 36 bilhões 827 milhões e 821 mil e 821 kz (36.827.821.821,00), situação que desagrada a Akwa Mana, que pretendia realizar uma manifestação no período de discussão no Parlamento.

“No terreno (na Lunda-Sul), entendemos que na fase de distribuição das verbas esta provín-cia tinha sido esquecida, mas como só tinha restado 36 bilhões e não tinha como aumentar mais, pegaram neste valor para a província. Entretanto, Guilherme Martins disse que mesmo com o orçamento aprovado, a sua associação quer ter um encontro com o Presidente da República para apresentar, num manifesto já elaborado, aquilo que consideram “o quadro real das províncias do Leste de Angola”. Para ele, as províncias do Leste são terras esquecidas e a Akwa Mana entende que há aspectos que não aparecem no relatório Presidencial, razão pela qual, acreditam que um contacto com João Lourenço mudaria o curso das províncias acima citadas. Para além da Akwa Mana, a região das Lundas já conta com o Movimento do Protectorado da Lunda Tchokwe, que reivindica uma autonomia, recorrendo a um Tratado de Protectorado celebrado durante a colonização portuguesa.

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