Como se as pessoas não contassem

Para mim, tudo isso soa um bocadinho a esquisito, mas parece que é mesmo assim, aliás, ninguém se queixa, ninguém reage, por resignação total, ou por derrota assumida, incorporada. Vejo novos ministros e novos governadores tomar posse, e também administradores municipais, ouço os seus discursos de posse, as suas promessas e identifico uma linha comum: promessas irrealizáveis e esquecimento das pessoas.

Os nossos dignitários, em especial os governadores provinciais, discursam, falam do lixo, das ruas, algumas vezes da água e da electricidade. Agora falam também das escolas. Falam de coisas materiais, de negócios, no fundo, porque lixo e estradas em Angola significam apenas negócio. E é neles que se foca o discurso dos que mandam.

Falta um discurso social, uma agenda social a todos os níveis do poder em Angola. Anda tudo preocupado com o dinheiro, ou o que se pretende ir buscar dos que o tiraram supostamente de forma ilícita, ou ilegal, ou o do Orçamento do Estado para grandes obras e respectiva comissão. Sim, isto ainda não acabou. Mas falta um discurso que fale directamente das crianças, dos idosos, dos desempregados, dos doentes, dos reformados.

Que fale deles e para eles. Discurso sobre a mulher vítima de violência e de assédio aqui é coisa exclusiva do respectivo ministério e mesmo assim só em datas comemorativas.

Precisamos de um poder que fale mais com as pessoas e sobre os problemas de cada um. Tudo o resto se parece com negócios e lutas de galos, onde o povo não se mete e para onde nem é chamado.

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