Galeria do Banco Económico abre novo ano com “Panorama” de Mónica de Miranda

A mostra, com entrada gratuita e curadoria de Paula Nascimento, é um projecto da This is Not a White Cube (TINAWC) e ficará patente ao público até 25 deste mês, podendo ser visitada de Segunda a Sexta-feira, das 12 às 19 horas e aos Sábados, das 10 às 13 horas, naquele espaço

Panorama, a primeira exposição individual de Mónica de Miranda, volta a ser exibida este mês na Galeria do Banco “Panorama”, 30 dias depois de ter fechado o círculo expositivo de 2018, da referida instituição bancária. A colecção, constituída por 33 peças inéditas, retratos, vídeo e instalação, engloba temáticas relacionadas com as geografias afectivas, poéticas, de pertença, e com os processos de construção da identidade. Paula Nascimento, curadora, refere que “a exposição explora os conceitos urbanos de Luanda do passado e do presente, e as peças abordam traços da memória, da história e da diáspora angolana”.

Realça ainda que Angola é uma das geografias afectivas de Mónica de Miranda e a exposição “Panorama”, marca o seu regresso à paisagem urbana de Luanda, cujas marcas do passado estão materializadas no espaço arquitectónico, edifícios abandonados, reaproveitados, engolidos pela natureza ou transformados pelos processos de gentrificação, sendo testemunhos da história recente do país. Resquícios dos diferentes intervenientes, políticos, económicos e sociais, são visíveis e materializados na morfologia das cidades, o que as torna singulares.

No seu entender, é também nestes espaços que se desenham novas relações de identidade, cada vez mais distintas e singulares, fruto da acção da memória de diferentes grupos sociais. São estas topografias de tensão entre o passado presente e um presente incerto, com as descontinuidades espácio-temporais típicas dos lugares trans-históricos que servem de ponto de partida para o projecto de investigação pós-arquivo de Mónica de Miranda. É também aqui que se desenvolve um processo crítico de desconstrução histórica e de releituras da memória colectiva angolana.

Já Sónia Ribeiro, fundadora da This is Not a White Cube Gallery, manifestou a sua satisfação por realizar e trazer para o país a primeira exposição individual da artista Mónica de Miranda. Reconheceu que a artista é já uma referência ao nível internacional e foi um desafio que se concretizou, graças ao apoio e visão do Banco Económico. Referiu que o projecto em Angola é uma derivação mais aprofundada do “Panorama” exibido em Londres, em 2017, e que tem vindo a ser trabalhado, desde então, para esta edição. “A TINAWC entendeu que a Galeria do Banco Económico é um espaço representativo da arquitectura actual de Luanda e reúne todas as condições para a realização e mostra expositiva”, disse.

A artista

Mónica de Miranda, vive e trabalha entre Lisboa e Luanda. Artista e investigadora tem o seu trabalho baseado em temas de arqueologia urbana e geografias pessoais. Licenciada em Artes Visuais pela Camberwell College of Arts, (Londres, 1998), é fundadora do projecto de residências artísticas Triangle Network em Portugal e fundou, em 2014, o projecto Hangar – Centro de Investigação Artística, em Lisboa. Em 2016, foi nomeada para o Prémio Novo Banco Photo, expondo como uma das finalistas no Museu Colecção Berardo (Lisboa, Portugal). As suas exposições mais recentes incluem: Tomorrow is another day (Carlos Carvalho galeria, 2018), Atlantic. A Journey to the center of the earth (Galería Sabrina Amrani, Madrid, Espanha, 2017); Panorama (Tyburn Gallery, Londres, Reino Unido, 2017); Hotel Globo (Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa, Portugal, 2015). Já participou em diversas exposições colectivas; Valongo Festival (São Paulo, Brasil, 2018); Doublethink: Doublevision (Pera Museum, Istambul, Turquia, 2017); Daqui Pra Frente (CAIXA Cultural, Rio de Janeiro e Brasília Brasil, 2017-2018), Bienal de Fotografia Vila Franca de Xira (Vila Franca de Xira, Portugal, 2017); African Art and Aesthetics of Translations at the Dakar Biennial (Senegal, 2016), entre outras.

A Comissária

Paula Nascimento, é arquitecta e curadora independente. Fundadora da Beyond Entropy África, estúdio de investigação que se debruça sobre os campos da arquitectura/ urbanismo, artes visuais e geopolítica. Galardoada com os prémios Leão de Ouro para Melhor Participação Nacional, em 2013, na Bienal de Veneza, Prémio Especial ArcVision Women for Expo (2015), African Architecture Awards 2017, entre outros, e é membro fundador do Colectivo Pés Descalços.