Eleições: Vitória de Felix Tshisekedi na RDC

A Polícia de choque desdobrou-se na sede da comissão eleitoral em Kinshasa na Quarta-feira, em meio a temores de um resultado disputado da eleição presidencial na República Democrática do Congo marcada por acusações de fraude eleitoral

A contagem poderia ser anunciada no final do dia após a CENI se ter reunido toda a noite e pela manhã. A Polícia também assumiu posições ao longo da principal avenida da cidade, enquanto os congoleses se queixavam da possível violência em meio a suspeitas de que o Governo do Presidente Joseph Kabila negociava um acordo de divisão de poder com um candidato da Oposição. A eleição de 30 de Dezembro deveria levar à primeira transferência democrática de poder do país da África Central ao longo dos seus 59 anos de Independência, mas um resultado disputado poderia desencadear o tipo de violência como a que eclodiu após as eleições de 2006 e 2011 e desestabilizar a volátil economia oriental do Congo.

África do Sul e Zâmbia pressiona Congo a divulgar resultado dos votos para manter a estabilidade

Em Pretória, o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e o seu colega da Zâmbia, Edgar Lungu, reuniram-se na Quartafeira e pediram à CENI que divulgasse rapidamente os resultados para manter a estabilidade. Na semana passada, a África do Sul, antiga aliada de Kabila, uniuse à Rússia e à China no Conselho de Segurança da ONU para impedir a divulgação de uma declaração proposta pela França que teria saudado a realização da votação, mas criticou a decisão do Governo de cortar o acesso à Internet e alguns meios de comunicação. A comissão anunciou na noite de Terça-feira que iniciou “uma série de reuniões de avaliação e deliberações, no final das quais procederá à publicação dos resultados provisórios das eleições presidenciais”.

Uma fonte da CENI e um diplomata disseram esperar que os resultados fossem anunciados na Quarta-feira. Outro diplomata, no entanto, disse que nem todos os registos de votação foram concluídos e que o anúncio pode ter que esperar até Quinta-feira. Os residentes de Kinshasa realizaram as suas actividades normais, mas alguns pais mantiveram os seus filhos em casa. As pessoas estavam de volta às ruas também na cidade de Goma, no Leste do país, que estavam desertas na noite de Terça-feira depois do rumor que dizia que o anúncio era iminente. Mesmo assim, alguns congoleses disseram que estavam preparados para uma possível agitação. “Todos … votaram contra o Governo no poder. Estamos preparados totalmente para exigir a vitória se ela nos for roubada”, disse Augustin Bujiriri, um estudante de 25 anos em Goma. Os resultados deviam ser anunciados no último Domingo, mas foram adiados devido a atrasos na votação.

TRANSFERÊNCIA DE PODER

Kabila deve deixar o cargo este mês após 18 anos no poder – e dois anos após o final oficial do seu mandato. Ele apoiou na eleição o seu ex-ministro do Interior, Emmanuel Ramazani Shadary. Shadary concorria contra dois dos principais candidatos da Oposição, o empresário Martin Fayulu e Felix Tshisekedi, presidente do maior partido de oposição do Congo. O acampamento de Tshisekedi, que espera vencer, disse na Terça- feira que se reuniu com representantes de Kabila para garantir uma transferência pacífica de poder, embora o grupo de Kabila tenha negado que tais reuniões tenham ocorrido.

Os defensores de Fayulu, que tinham uma saudável liderança na sondagem pré-eleitoral, expressaram suspeitas de que Kabila possa estar a negociar um acordo de partilha de poder com Tshisekedi se Shadary perder. Na Terça-feira, Fayulu e seis outros candidatos presidenciais divulgaram um comunicado dizendo que os resultados “não podem ser negociados”. O porta-voz de Tshisekedi, Vidiye Tshimanga, na Quarta-feira, procurou minimizar os contactos com os representantes de Kabila, dizendo que eles ocorreram apenas à margem de reuniões com a CENI e observadores regionais sobre o processo eleitoral. Observadores eleitorais domésticos dizem que testemunharam graves irregularidades no dia da eleição e durante a contagem dos votos, embora uma missão de observadores regionais tenha dito que a eleição decorreu “relativamente bem”.

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