Corredor do Kwanza centraliza atenções com viagem fluvial de observação

O corredor do Kwanza, candidato à elevação a Património Cultural da Humanidade, foi alvo de uma viagem fluvial de investigação, esta Sexta-feira, por técnicos do Ministério da Cultura e da Administração Municipal da Quiçama, no âmbito da jornada comemorativa do Dia da Cultura Nacional, assinalado no pretérito dia 8 do mês em curso

A jornada iniciou na comuna da Cabala e terminou no município da Kissama a 35 quilómetros do município do Icolo e Bengo, com a visita aos monumentos e lugares de memória da região, entre as quais a Fortaleza e a Igreja Católica, e a exposição fotográfica do Corredor do Kwanza. Prosseguiu com uma palestra no auditório da Administração municipal da Quiçama, sob o tema, “Quiçama- elementos identitários sócio-culturais e História” orientada pela historiadora e docente universitária, Aurora Ferreira, autora do livro “A Quiçama em Angola do Século XVI ao início do Século XX- Autonomia, Ocupação e Resistência”.

Durante a sua intervenção, Aurora Ferreira falou do interesse e problemática da pesquisa sobre a região da Quiçama, o interesse e os motivos do assunto, o objectivo da pesquisa, o estado das questões: trabalhos e referências sobre Quiçama. O objectivo do estudo de trabalho sobre a Quiçama, segundo a oradora, é contribuir para o alargamento dos estudos sobre a História de Angola, uma vez que a Quiçama é muito mal conhecida. A oradora destacou igualmente a metodologia e hipótese de trabalho, as fontes escritas, os arquivos públicos, os arquivos administrativos institucionais, os arquivos privados e outras fontes. A ideia inicial desta pesquisa era abordar o assunto relativamente a um período bastante desconhecido, que vai da segunda metade do Século XIX ao Século XX, para continuar e aprofundar os únicos estudos sobre a região realizados pela historiadora alemã Beatrix Heintze.

Aurora Ferreira referiu que durante um certo tempo da sua pesquisa, constatou a ausência de dados que lhe permitisse explicar de forma coerente os acontecimentos que se deram nessa época (Século XIX). Referiu que à medida que avançava a sua pesquisa, sentiu a necessidade de recuar ao XVI para melhor compreender a persistência dos conflitos e de que forma essas populações mantiveram a sua autonomia durante tanto tempo. À margem desta palestra, foi também realizada uma exposição gastronómica, exibição de danças folclóricas, a mostra documental sobre a região da Quiiçama, bem como a inauguração e oferta de livros à nova sala de leitura da sede da Quiçama.

igreja de Nossa Senhora da muxima

Construída entre 1641 e 1648 após a transferência da imagem da Nossa Senhora da Muxima pelos holandeses para o local, a Igreja situa-se na localidade com o mesmo nome a cerca de 130 quilómetros da cidade capital, Luanda. É considerada monumento nacional desde 1924 e alberga o santuário da Nossa Senhora da Muxima, que recebe anualmente milhares de peregrinos, sobretudo por altura da Festa da Nossa Senhora da Muxima que se celebra em Setembro.

fortaleza da muxima

Esta foi erguida no cimo de um monte na margem esquerda do rio Kwanza em 1599 por forças portuguesas, que se encontravam em desvantagem em relação às forças holandesas) como defesa do presídio que aí servia de entreposto de mercadorias e escravos que aguardavam transporte para o continente americano.

Quiçama

É um município da província de Luanda, tendo sido transferido da província do Bengo no seguimento da reforma administrativa das duas províncias em 2011 (lei 29/11, de 1 de setembro). A sede do município é a vila de Muxima.

O Pais

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